terça-feira, 31 de maio de 2022

Mais do mesmo

Maio de 2022, a minha cidade sofreu inundações por causa de chuvas muito intensas.  Há oito dias chove bastante e na última sexta-feira, dia 27/05/2022, a chuva virou tragédia e agora são 94 mortos.

Embora realmente a chuva tenha sido mais intensa, não há como deixar de pensar que a falta de memória prejudicou a sobrevivência das pessoas. Maio aqui é o mês das chuvas, não há surpresa nisso: https://direitoamemoria.blogspot.com/2011/05/trauma-e-memoria-coletiva-viva-o-caso.html?m=0

É sempre assim, a incapacidade de lembrar e de se antecipar aos problemas faz com que a cada maio seja tudo mais do mesmo. Mais tragédia.

quarta-feira, 25 de maio de 2022

A primeira obra de arte a gente nunca esquece

Bem, não lembro da primeira obra de arte que eu tive o prazer de ver, mas essa foi a minha primeira tentativa aos seis anos de idade:

Tapeçaria mirim

A minha avó Eurídice era uma exímia tapeceira e decidiu me ensinar os fundamentos a partir desse quadrinho.

Mais do que os fundamentos e os diversos tipos de pontos, ela me ensinou que o avesso também tem que ser direito, pois não é porque as pessoas não vêem que o outro lado da tapeçaria pode ser feio: fazer o certo é uma questão de integridade pessoal.

Ela também me ensinou a fazer crochê, mas pouco do que fiz sobreviveu à sua sanha justiceira e perfeccionista, que desfazia todo o meu trabalho a cada tarde.

Essas lições da minha avó sempre vinham com rigor, bolo formigueiro e guaraná geladinho nas tardes preciosas em sua companhia. 

Depois de tantas décadas, resgatei esse trabalho como uma lembrança querida da minha vovó, e fiz um quadrinho, que agora habita a minha estante.


Enquadramento