terça-feira, 30 de junho de 2020

Artigo publicado (2020) - Fabiana Dantas

Foi publicado um artigo meu na Revista Lusófona de Estudos Culturais, intitulado "A pintura artística em espaços urbanos tombados no Brasil: limites e possibilidades", no volume 7, nº 1 (2020), cujo tema é a "Arte Pública para comunicação turística":  https://rlec.pt/article/view/2125/2675

Está disponível também em língua inglesa: https://rlec.pt/article/view/2125/2676.

O artigo trata sobre pinturas artísticas (grafites) em imóveis tombados e no entorno, e traz algumas reflexões interessantes sobre a dificuldade de assegurar a liberdade artística, os anseios estéticos e identitários em relação à cidade, e a gestão oficial do patrimônio cultural edificado. Além disso, o Brasil possui uma peculiaridade legislativa porque distingue o grafite da pichação para fins de configuração de crime ambiental, e das responsabilidades civil e administrativas por danos, e o conceito legal não corresponde, em termos gerais, à forma e às finalidades de expressão da comunidade artística.

Para ver outros números da Revista, acesse: https://rlec.pt/.

sábado, 27 de junho de 2020

Rockgol MTV

Nessas férias tive a oportunidade de rever alguns jogos do MTV Rockgol, e me diverti tudo novamente.

É possível encontrar algumas partidas no Youtube, e as bobagens são atemporais. 

quarta-feira, 24 de junho de 2020

São João 2020

Neste ano não vai haver arraial, nem dança e nem festa na rua, não só por causa do isolamento social mas principalmente em respeito às vítimas, aos sobreviventes e aqueles que estão trabalhando para ajudar neste momento tão difícil.

Os profissionais de saúde estão sendo vitimados e todos estão vulneráveis em distintas medidas, então é tempo de rezar para todos os santos para que tragam auxílio ou conforto, em especial São João Batista a quem este dia é dedicado.

Hoje também é dia de lembrar das festas juninas da minha infância, que sempre ocorriam na casa da minha avó.  Tantos fogos, tanta comida de milho, tantas boas lembranças e tantas saudades.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Ramiro

Bem vindo, querido.

Este mundo está muito diferente do que a gente estava acostumada, e você chegou em um momento em que estamos tentando aprender novas formas de seguir adiante.

Agora estamos todos engatinhando. Um dia vou te contar a história desse enigmático ano de 2020, quando tanta coisa aconteceu.

Apesar de tudo isso,  nossa vida fica melhor com você.

Ramiro de tia Fabiana




segunda-feira, 22 de junho de 2020

Memória e aprendizado (3): o poder da revisão

Muita gente confunde memorizar com aprender porque, como é óbvio, o aprendizado também consiste em reter informações mas não se resume a isso.

Saber é ter a informação e conseguir usá-la.  Construir mais informações a partir da que você possui e ir além, e por isso as etapas de "revisão de literatura" são tão importantes para quem vai fazer um trabalho acadêmico adequado.

Revisar significa relembrar a informação que você já tem, o que permite criar o contexto para inserir novas informações de forma coerente.  Portanto, a revisão não é um processo passivo, mas ativo e fundamental à construção o conhecimento, camada por camada.

Para outras reflexões sobre memória e aprendizado:
http://direitoamemoria.blogspot.com/2011/07/memoria-e-aprendizado-estudando-kant-no.html
http://direitoamemoria.blogspot.com/2011/07/memoria-e-aprendizado-questao-da.html

domingo, 21 de junho de 2020

Vassouras

Desde pequena minha mãe nos ensinou a cuidar do nosso meio ambiente doméstico, então tarefas caseiras como faxina não são desconhecidas para mim.  Na verdade, eram um ótimo momento para compartilhar atividades com os membros da família e ouvir Clara Nunes (https://direitoamemoria.blogspot.com/2011/09/lembrar-clara-nunes.html).

Por questões de comodidade e gosto preferi ao longo de muitos, muitos anos, delegar a honra dos procedimentos de limpeza para outros sujeitos mais capazes do que eu nessa matéria.Ou seja, minha situação era a de não fazer faxina nunca, mas esse estado de graça foi alterado pelo isolamento social.

Desde março de 2020 voltei a fazer faxina ouvindo Clara Nunes, mas percebo que no meu atual estado de maturidade não posso simplesmente ir fazendo coisas sem pensar.  Temos que questionar e buscar a verdade e a utilidade do que fazemos.

Por exemplo: como surgiram as vassouras?  Quem e quando foi inventada a varrição? Por que? Desde quando tirar o pó das residências se tornou obsessão?

Para mim, trata-se de um objeto utilitário muito antigo.  Já vi "vassouras" sendo usadas para limpar o terreiro para afastar insetos e pedrinhas para que as pessoas pudessem sentar ou deitar no chão. Para afastar cinzas e brasas, como faziam os carvoeiros com pás e vassouras.

Acredito que deve ser uma ferramente agrícola, derivada dos rastelos ou ancinhos, que basicamente são utilizados para juntar o que está espalhado pelo chão.

Esse instrumento de trabalho do mundo externo - agrícola e industrial - entrou como nas residências? Quando varrer casas passou a ser uma parte do ritual de limpeza doméstica? Será que em Pompéia as pessoas varriam casas? Ou no Egito Antigo? Provavelmente nasceu na China ou na Índia e foi se espalhando pelo mundo, como um monte de outras coisas.

Será que existia um deus que presidia os rituais de limpeza doméstica, cujo símbolo era uma vassoura?

Enfim, é um hábito antigo e enraizado, então vou começar a varrer se não termino essa faxina nunca.

sábado, 20 de junho de 2020

Biografia autorizada de Andre Matos - Divulgação

O livro é intitulado "Andre Matos: o maestro do Heavy Metal", e está em pré-venda no sítio: https://esteticatorta.lojavirtualnuvem.com.br/produtos/livro-andre-matos-o-maestro-do-heavy-metal/?variant=144089512

O título está adequado porque ele era maestro, e em uma entrevista disse que se orgulhava de ser conhecido como maestro do Rock ou do Heavy Metal.

Encomendei o meu hoje e sinto que esse é um pequeno passo em direção à busca frenética por bibliografia que domina a minha vida.

Como expliquei no post "Lembrar Andre Matos" (https://direitoamemoria.blogspot.com/2020/06/lembrar-andre-matos.html), aproveitei o ensejo do marco de um ano do seu falecimento para realizar uma lembrança celebrativa, ouvindo música e revendo algumas entrevistas.

Estou de férias então aproveitei o meu tempo livre, isolada em casa, para dedicar uma atenção mais sistemática à obra dele, o que estou fazendo desde então. Quando comecei a fichar as músicas e as entrevistas percebi que não tinha mais jeito, que eu estava irremediavelmente interessada, e a solução para mim é sempre mesma: estudar o assunto.

Então é isso, lembrar Andre Matos estudando a sua obra.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

19 de Junho -Dia do Baobá

Na minha cidade foi criado  o "Dia do Baobá" pela Lei nº 17099/2005, comemorado no dia 19 de junho.  Nessa ocasião o Poder Público deve promover celebrações para dar visibilidade aos cultos afro-descendentes na cidade, que consideram essa árvore sagrada.

Há também um instrumento de proteção criado através de Decreto do Prefeito que proíbe o corte dos baobás. Aproveitando o ensejo e a data comemorativa, vamos refletir um pouco sobre os baobás e o significado que os tornam dignos de preservação.

O baobá é sagrado nos cultos africanos e nos cultos de matriz afro-descente no Brasil.  As árvores em geral aparecem em diversas religiões e surpreendentemente com uma função parecida de fazer a ligação entre o Céu e a Terra.  Essa ligação é bem representada no simbolismo do "Axis Mundi", da "Árvore da Vida", da "Árvore do Bem e do Mal" do Gênesis, entre outros.

Esse caráter sagrado de ligação em relação aos baobás assume um caráter memorial explícito, uma vez que além ligar o Céu e a Terra também religa os deportados pela escravidão à Terra Natal.  Em um ritual extremamente significativo, os deportados davam voltas (nove para os homens e sete para as mulheres) em um baobá para deixarem lá suas lembranças, e por isso era chamado de "Árvore do Esquecimento".

Mas o significado memorial do Baobá também está na sua longevidade, que permite a noção de continuidade, permanência e resistência tão caras à memória coletiva. 

Aqui na minha cidade (eu gostaria muito de confirmar como chegaram os baobás no Brasil) conta-se que há um baobá ao pé do qual  os escravos iam para morrer de banzo, um mal do espírito que os acometia.  Não sei se é história ou lenda, mas quando passo por esse baobá lembro deles, tento imaginar a situação dramática em que viviam, e também lembro que quando era pequena, brincava entre as suas raízes e catava sementes.

Então, vamos aproveitar o dia do Baobá para sentir e ter empatia com o sofrimento passado e presente de todos aqueles que se encontram distante de sua terra natal, ou em situação de vulnerabilidade econômica ou análoga à escravidão.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Carrossel do destino - Antônio Nóbrega e Bráulio Tavares


Deixo os versos que escrevi,
As cantigas que cantei,
Cinco ou seis coisas que eu sei
E um milhão que eu esqueci.
Deixo este mundo daqui,
Selva com lei de cassino;
Vou renascer num menino,
Num país além do mar...
Licença, que eu vou rodar
No carrossel do destino.

Enquanto eu puder viver
Tudo o que o coração sente,
O tempo estará presente
Passando sem resistir.
Na hora que eu for partir
Para as nuvens do divino,
Que a viola seja o sino
Tocando pra me guiar...
Licença,que eu vou rodar
No carrossel do destino.

Romances e epopéias
Me pedindo pra brotar
E eu tangendo devagar
A boiada das idéias.
Sempre em busca das colméias
Onde brota o mel mais fino,
E um só verso, pequenino,
Mas que mereça ficar...
Licença,que eu vou rodar
No carrossel do destino.

________
Sobre viver, sentir, lembrar e esquecer.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Lembrar Andre Matos

Andre Coelho Matos é um grande músico brasileiro, falecido em 8 de junho de 2019.  Em 2021, quando completaria 50 anos, será lançado um documentário em sua homenagem: https://www.youtube.com/watch?v=fzvW5g2Kasc.

Eu sempre gostei de rock, de todos os estilos e épocas, e tenho um apreço especial pelo heavy metal embora a minha forma de apreciá-lo seja um pouco diferente do que fazem os fãs mais comprometidos. Música é uma experiência dos sentidos, então procuro ouvir sem racionalizar muito e desfrutar daquele momento.

Algumas realmente me fazem sentir e fazem sentido, e essas são as que me emocionam e invadem a minha memória. Não importa a época ou o estilo, se puramente instrumental ou não, a música boa tem esse efeito de arrebatamento.

Andre Matos conseguia mostrar esse arrebatamento na voz, ao tocar, ao fazer suas performances no palco.  Eu gosto de ouvi-lo e vê-lo cantar, e tenho a impressão de que o metal foi a sua forma de expressão mais evidente exatamente por causa do peso e da força que transmite.

Potência na voz, potência na vida.

Lembrar de Andre Matos por causa do marco do seu falecimento, que em alguns Estados do Brasil é considerado por lei o "Dia do Heavy Metal", homenageando-o de um jeito  singelo: reencontrando videos e músicas queridas, assistindo-o mais uma vez ser incrível e memorável.





sábado, 13 de junho de 2020

Memória poética - Roberto Carlos e Erasmo Carlos

As canções que você fez para mim


Hoje eu ouço as canções
Que você fez pra mim
Não sei por que razão
Tudo mudou assim
Ficaram as canções
E você não ficou
Esqueceu de tanta coisa
Que um dia me falou
Tanta coisa que somente
Entre nós dois ficou
Eu acho que você
Já nem se lembra mais
É tão difícil
Olhar o mundo e ver
O que ainda existe
Pois sem você
Meu mundo é diferente
Minha alegria é triste
Quantas vezes você disse
Que me amava tanto
Tantas vezes eu
Enxuguei o seu pranto
E agora eu choro só, sem ter você aqui.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Mais (menos) estátuas

E a epidemia de mutilar e retirar estátuas continua: https://oglobo.globo.com/mundo/manifestantes-nos-eua-destroem-estatuas-de-cristovao-colombo-1-24473057

Cristóvão Colombo é o ícone da vez.

Como já começamos a discutir nos posts http://direitoamemoria.blogspot.com/2019/11/chilenos-retiram-estatua-de-pedro.htmlhttp://direitoamemoria.blogspot.com/2020/06/estatua-derrubada-em-londres.html e http://direitoamemoria.blogspot.com/2020/06/ainda-sobre-estatuas-derrubadas.html, mais do que celebrar um monumento é importante entender quem era o representado, por que mereceu a homenagem, quem fez a homenagem ( e por que), quem tirou? Por que tirou?  Qual será destino da estátua? A estátua, o objeto em si, tem valor artístico ou histórico?

Acrescentamos um tijolo nessa parede de problemas:  o monumento ressignificado pode permitir a discussão e a reflexão sobre temas como genocídio, escravidão, regimes totalitários, ditaduras. Discutir personagens e contextos históricos pode ser muito elucidativo sobre alguns temas.  Será que retirar e mutilar estátuas não dificulta também essa reflexão e contextualização?

Não seria mais útil agregar mais uma camada de discussão ao monumento?

Esquecer um genocida pode dificultar o reconhecimento de personagens análogos.  Evidentemente, não se está defendendo a construção de monumentos a genocidas ou ditadores porém, se existirem, é mais útil entender porque e por quem essa memória mereceu celebração do que simplesmente negá-la.

Quando se trata de sentimentos e afetividade (amor, revolta, ódio) frequentemente os impulsos prevalecem.  Aquele símbolo, aquela estátua, é tão revoltante e ofensivo? Vamos entender por que e dar o destino correto ao objeto, nem que seja trasladá-lo a um museu.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Mil e quinhentos

1500 posts sobre a memória e o patrimônio cultural que a veicula.

Em comemoração desse marco vou rever cada um deles, atualizando o que for necessário, retificando, perdoando, restaurando, se necessário, porque esse é também um trabalho da memória.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Ainda sobre estátuas derrubadas

No post anterior, trouxemos a notícia da derrubada da estátua de Edward Colston (cf. http://direitoamemoria.blogspot.com/2020/06/estatua-derrubada-em-londres.html), por sua biografia de traficante de escravos.

A nossa preocupação é com o destino do monumento e a necessidade de entender o que levou à sua construção e destruição, que são  importantes para a memória coletiva e para o dever de memória.

Pois bem, Bansky (adoro!) resolveu o problema:https://www.dailymail.co.uk/news/article-8402975/Banksy-suggests-replacement-Edward-Colston-statue.html

Do ponto de vista da memória coletiva, a proposta do artista acrescenta uma camada de significado ao monumento. Torna Colston secundário mas não o apaga da paisagem, além de agregar os personagens e os valores que o derrubaram e isso, sem dúvida, é uma forma artística de ressignificação.

Mesmo que o monumento não seja fisicamente modificado, como propõe Bansky, ele  já criou um documento para a posteridade.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Estátua derrubada em Londres

Confira a notícia: https://www.google.com/amp/s/www.bbc.com/news/amp/uk-england-bristol-52955868

A estátua de Edward Colston, eminente traficante de escravos, foi erigida em 1895 e derrubada em junho de 2020.

Para entender a questão, vamos às perguntas clássicas: quem era? o que representava? Quem construiu? Por que construiu? Quem tirou? Por que tirou? E agora? Qual será destino da estátua derrubada? Qual será o passado da Nação? E o futuro?

Monumentos, versões e aversões (http://direitoamemoria.blogspot.com/2014/08/versoes-aversoes-e-monumentos.html) e mais uma estátua que não sobreviveu a 2020.

domingo, 7 de junho de 2020

Domingo cinematográfico

Hoje é mais um domingo no isolamento, e resolvi me dedicar a assistir filmes e a comer pipoca.

Tudo estava bem até que o primeiro monumento foi explodido sem nenhuma razão. A Mulher Maravilha não precisava destruir aquela igreja, do pequeno vilarejo, para alcançar o atirador que ameaçava as pessoas.

A Mulher Maravilha podia libertar o vilarejo e garantir que a igreja, que sobreviveu à guerra, continuasse existindo.  Ela é uma heroína, pelo amor de Deus.

Depois, outro filme onde dinamitaram uma pirâmide.

E finalmente, um filme dedicado ao furto e roubo de obras de arte. E a narrativa, notem, induzia o espectador a torcer pelo ladrão que privou um museu do seu acervo.

Em geral a ficção não me incomoda.  Eu até tolero Indiana Jones e sua forma pouco ortodoxa de abordar o patrimônio cultural, dinamitando tumbas e roubando artefatos, porque ele é um herói cujo superpoder é a Arqueologia, e isso a gente respeita.

Mas hoje não deu: xinguei a tv e acho que esses personagens deveriam ser processados por danos.  Depois me acalmei e continuei comendo pipoca.

sábado, 6 de junho de 2020

Constatação

A fantasia nos leva a lugares e a idéias que às vezes contradizem a realidade da maneira mais estranha.

Recebi uma propaganda do lançamento da coleção "outono-inverno" de roupas, e me deparei com um complexo caso de dupla fantasia: não existe isso de "outono","primavera", e"inverno" na minha região.

Aqui há apenas o "quente", "quente demais" e o "quente com chuva", que algumas pessoas ousadamente chamam de inverno.

A  segunda fantasia é a esperança de que baseio as minhas decisões de consumo na moda ou na sazonalidade artificial. A sazonalidade é mandatória para produtos orgânicos e intempéries.

Veja: fiquei catorze anos com o mesmo celular; comprei a minha geladeira, tv e máquina de lavar em 2004, e estão funcionando muito bem.

Não existe motivo para substituir o que está funcionando, sejam equipamentos eletrônicos, relacionamentos, ou partes de um monumento. A missão é conservar, manter e seguir.

Manter é lembrar, em todas as estações do ano ou da vida.