sexta-feira, 31 de julho de 2020

Costume de casa indo à praça

Existe um ditado antigo no Brasil que afirma que "o costume de casa vai à praça".  Como discuti no artigo sobre urbanidade referido abaixo, existem dois espaços éticos bem marcados e distintos na sociedade brasileira que, para usar  a expressão de Roberto DaMatta, podem ser extremados como a casa e a rua.

Os comportamentos públicos e privados são bem diferentes, sendo os primeiros geralmente mais polidos. Com a pandemia, o trabalho a partir de casa fez com que as fronteiras se diluíssem: a casa invadiu a rua, ou a recíproca verdadeira. 

Hoje realizamos reuniões de trabalho em casa, mas sem os procedimentos e rapapés que adotamos quando recebemos visitas. A consequência dessa diluição é a frequente ocorrência de padrões incompatíveis com a ética pública, que não podem ser atribuídos apenas à dificuldade com a tecnologia:  pessoas nuas em reuniões de trabalho, palavrões e xingamentos ditos com desassombro e outros comportamentos que jamais seriam realizados em situações públicas normais.

Não se trata apenas de esquecer de desligar a câmera ou o microfone, mas de adotar no cotidiano um comportamento incompatível com a urbanidade.  A incivilidade no trato com os familiares e do ambiente doméstico transbordou para a rua e tem se revelado uma faceta indesculpável.

Manter o comportamento urbano é uma questão de integridade, decoro e coerência porque as pessoas merecem ser tratadas com respeito, principalmente aquelas com as quais convivemos mais proximamente (os familiares) porque isso evita conflitos e torna a vida melhor.  Ser educado é eficiente, economiza tempo, recursos e dramas.

REFERÊNCIAS

DAMATTA, Roberto. A casa e a rua. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

DANTAS, Fabiana Santos. A urbanidade como dever funcional
no direito administrativo brasileiro.  Revista de Direito Administrativo,  Rio de Janeiro, v. 278, n. 3, pp. 145-162, 209. Disponível em:,http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rda/article/view/80833/77257>.


quarta-feira, 22 de julho de 2020

Livro Direito Fundamental à Memória - Fabiana Dantas - Dez anos

Em julho de 2010 foi publicado o livro "Direito Fundamental à Memória", minha tese de doutorado em Direito.

Depois que concluí o trabalho e o mandei para a Editora, criei este blog para continuar pensando sobre o assunto, discutindo aspectos pertinentes ao patrimônio cultural, políticas de preservação, memória coletiva e individual, e os direitos correspondentes.

Nesse tempo, a minha curiosidade e meus estudos me levaram para tantos campos diferentes.  De 2010 para cá a nossa memória coletiva vem trabalhando de forma incessante, em um trabalho de construção que não acaba e não desacelera.

A idéia era comemorar os dez anos de publicação com um novo livro, mas 2020 mudou nossos planos e nossos sonhos. Vou reler o livro, relembrar questões e autores, e estudá-lo sob uma nova perspectiva.


quinta-feira, 16 de julho de 2020

Três quarentenas

Hoje, completo 120 dias de quarentena e sem previsão para o retorno à vida antes considerada "normal".

Na verdade, a minha vida não vai ser como antes.  A vida e a visão mudaram.

Infelizmente, percebo que algumas pessoas além de não "acreditarem" na pandemia, mesmo quando sabem que ela existe adotam comportamentos contrários à lógica da autopreservação.

No geral, e como é natural, os cuidados foram afrouxando ao longo do tempo por falta do reforço periódico de sua necessidade.

Lembrar é manter vivos os modos de fazer.  Incorporar e praticar os cuidados necessários no cotidiano. Nada deve ser como antes.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Dia Mundial do Rock - 13/07

É costumeiramente comemorado no Brasil no dia 13 de julho, e parece que apesar de "mundial" só é festejado aqui, e em algumas cidades mais do que outras.

Também não é uma data oficial, mas isso importa?

Para mim, absolutamente não. Estou comemorando e ouvindo a obra de Andre Matos (http://direitoamemoria.blogspot.com/2020/06/lembrar-andre-matos.html), como deve ser.

É dia de rock pesado, bebê.

sábado, 11 de julho de 2020

Santa Sofia sagrada

Notícia importante: https://oglobo.globo.com/mundo/sob-protestos-internacionais-decreto-de-erdogan-transforma-museu-de-santa-sofia-em-mesquita-24525626

A Basília de Santa Sofia já foi uma mesquita, posteriormente convertida em museu. Voltando a ter funções religiosas a gestão e a visitação vão mudar, mas o que essas mudanças significam para o monumento, para a Turquia e para a Humanidade?


domingo, 5 de julho de 2020

Síndrome da boca ardente

Esse post não é exatamente sobre direito à memória, mas com certeza  a sensação da minha língua ardendo 24 horas por dia é algo que eu nunca vou esquecer, e compartilho aqui para que alguém, que esteja passando por algo parecido, possa encontrar paliativos e soluções.

Um dia no final de de dezembro de 2019 (acho que dia 23), acordei com a minha língua ardendo.  Parecia que havia queimado a língua com um café muito quente ou comido uma pimenta perpétua.  A queimação virou dor e eu não conseguia dormir.

Tudo muito esquisito.

Depois de alguma pesquisa, descobri que a estomatologia é o campo científico que estuda a língua, e é compartilhado pela Dermatologia, Odontologia e Oncologia. Comecei o tratamento por esta última abordagem, e as providências foram:

- deixar de tomar coisas quentes
- deixar de comer coisas ácidas
- fiz umas sessões com uma luz azul que parecia bem importante
- utilizei um produto antiinflamatório.

As coisas melhoraram aos poucos.  O incômodo ao me alimentar persistia e, após as refeições ou quando a língua ardia muito eu usava pedrinhas de gelo.

Depois de seis meses, e diante de informações de que essa síndrome não tem cura ou é demorada, passei a considerar em viver com o incômodo pelo tempo necessário, utilizando o gelo e outros paliativos.

No final de  junho de 2020 tive que fazer uma consulta ao meu dentista que, pelo bom destino, conhece essa síndrome e me prescreveu um tratamento em várias etapas.  Estou tomando uma suplementação alimentar para suprir deficiência nutricional, usando uma luz vermelha que parece bem importante, e outros remédios prescritos. Tive que fazer algumas alterações na forma como faço a higiene bucal por causa dos remédios.

Hoje a minha língua não ardeu.