quinta-feira, 30 de junho de 2022

Férias 2022: memórias parte 1

Em 2022 resolvi retomar minhas caminhadas mais longas, ainda que não tenha superado totalmente as sequelas respiratórias da covid que me atingiu no ano passado.

O destino já estava entre as minhas pendências há muito tempo: fazer a travessia do Vale do Pati, na Chapada Diamantina.

Em 2017 quando fui à Chapada Diamantina pela primeira vez - e algumas das lembranças podem ser vistas aqui no blog - cheguei na descida do Vale mas não tínhamos tempo de fazer a travessia.  Naquele momento, ali no alto da montanha, decidi que algum dia ia fazer a travessia.

Esse dia chegou em junho de 2022.

Mas vamos por partes, muita coisa aconteceu até um descer para o Vale.  

Consegui planejar a minha viagem corretamente, e o que dependeu de mim foi sendo corrigido até dar certo: 

a) A empresa errou a data da expedição, mas corrigiu.

b) A minha cidade inundou no dia da minha viagem.  Só cheguei no aeroporto porque Deus quis, e o motorista do Uber sabia navegar.  Obrigada, comandante Carlos.

c) A alça da minha mochila quebrou no aeroporto de origem.  Ao chegar em Salvador, primeira parada em direção à Chapada Diamantina, fui correndo comprar uma mochila nova.

d) No caminho, perdi os meus documentos.  Sem eles não conseguiria pegar o transporte para a Chapada Diamantina e nem voltar para casa. 

Por sorte foram localizados e entregues no hotel.

e) Cheguei na Chapada e percebi que faltavam alguns materiais para levar, que havia deixado na outra mochila que abandonei no hotel.  Correria para conseguir tudo que faltava.

f) Começamos a travessia subindo a Serra do Sincorá.  Ali eu já percebi que a mochila nova estava com problemas.  Na descida foi pior.  Uma guerra para me equilibrar e ajustar o equipamento novo.

g) Machuquei o joelho na descida da Serra.  Tudo na Chapada Diamantina  é duro, difícil e bonito. É isso, andar com o joelho inchado.

Cheguei no Vale do Pati, olhei ao redor e disse: Eu disse que vinha. Para mim, depois de tudo, a vitória foi estar ali.

No próximo post, notícias e fotos da travessia.


segunda-feira, 27 de junho de 2022

Impressões da pandemia (12) : vacina que salva vidas e o outro lado

Quando voltei das breves férias foi surpreendida com o fato de que meus pais, ao mesmo tempo, foram infectados com COVID, e estão ambos hospitalizados.

Papai e mamãe são idosos e tomaram quatro doses da vacina.  Tenho absoluta certeza de que isso contribuiu para que eles se encontrem hoje em boa saúde, dentro das circunstâncias, e com um bom prognóstico.

Essa situação toda aconteceu no período das festas juninas e, enquanto nós três estávamos internados no hospital, acompanhamos as notícias de aglomerações nas comemorações.

Algumas reflexões passaram pela minha cabeça, e depois serão aprofundadas:

1) O patrimônio imaterial é realmente uma força viva. As pessoas fazem de tudo para preservar as suas tradições, mesmo contra o bom senso e as medidas sanitárias em uma pandemia.

2) A festa assumiu para mim um significado que nunca teve.  Não pude deixar de pensar na insensibilidade de voltar aos procedimentos da época A.P (antes da pandemia), como se nada tivesse acontecido, e isso me causou mais tristeza do que maravilhamento, como acontecia antes.

Eu amo os festejos juninos, mas nesse ano acho bastante indevido realizá-los, especialmente em um contexto de aumento dos casos de covid. As pessoas querem esquecer a pandemia e viver como se não tivesse acontecido.

3) Viver uma situação é totalmente diferente de ser empático.  Estar em um hospital, vendo as pessoas adoecerem e adoecidas, a dedicação dos profissionais da saúde e a sua preocupação porque a população não está adotando as medidas corretas dá um aperto no coração.

Não aglomerar, adotar as medidas de higiene, distanciamento social e usar máscaras são condutas que deveriam ser incorporadas na nossa vida, independentemente das flexibilizações autorizadas pelo governo.  Por nós e em consideração a todos.

Eu também estou com covid, e agora estou em isolamento pelo prazo determinado. É isso.


quinta-feira, 23 de junho de 2022

O DNA da Peste Negra

 Notícia importante: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/analise-de-dna-revela-possivel-local-de-origem-da-peste-negra/

A Ciência procura responder às questões básicas que permitem construir o conhecimento sobre um objeto: o que, como, quando, onde, às vezes é possível e necessário perguntar quem, por que e para que.

A peste negra foi uma grave epidemia que assolou a Europa no século XIV e que trouxe um número expressivo (e ainda não confirmado) de mortes.  Saber onde surgiu permitirá talvez descobrir a sua origem e os padrões de disseminação, um conhecimento que pode nos ajudar muito nas próximas pestes que virão.



domingo, 19 de junho de 2022

Pela memória de Bruno Pereira e Dom Phillips

Bruno Pereira foi um brasileiro, indigenista, servidor público como eu, responsável pela preservação e proteção dos povos indígenas da Amazônia. 

Foi assassinado enquanto cumpria o seu dever funcional, fazendo o que a lei manda nas regras de competência do seu cargo, mas também o que o seu coração exigia.

Quem trabalha com preservação - seja de pessoas, seja de bens culturais - cuida diariamente, e esse cuidado faz florescer um afeto, um amor pelo que a gente protege.  É por isso que Bruno Pereira estava cantando, tentando aprender e se expressar na língua das pessoas que amava, e em sua companhia:

https://www.youtube.com/watch?v=O0HMpEnZ8C8

É por isso também que quando sua memória foi homenageada pelo rabino Uri Lam, foi essa a música entoada no ofício religioso:

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2022/06/18/bruno-pereira-e-dom-phillips-sao-homenageados-durante-reza-judaica-em-sao-paulo.ghtml

Se me perguntassem o que sintetiza o Brasil que eu amo, eu diria que é o rabino cantando um canto indígena, em homenagem a Bruno Pereira.  Tantas culturas diferentes convergiram para homenagear a memória de Bruno Pereira, no esforço sincero de mostrar respeito e essa dor que não passa, por causa da violência endêmica que vivemos.

Dom Phillips é um jornalista britânico que amava o Brasil e se dispôs a entender e reportar uma realidade que ameaça a vida e a cultura dos povos indígenas da região.  Embora a sua função não seja de proteger e preservar, como era a missão de Bruno Pereira, se dispôs a empenhar o seu talento, o seu tempo, e a sua vida nessa tarefa.

Infelizmente, são mais dois nomes na lista infinita das pessoas assassinadas no Brasil, cujos motivos são variados mas no final são um só: o total desapreço e desvalor que a vida humana tem aqui.

O dever de todos é preservar a vida e a dignidade humanas. E depois, preservemos a memória das pessoas que viveram plenamente e ajudaram a construir um mundo melhor.

Sem Dom Phillips e Bruno Pereira o mundo certamente ficou pior.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Férias 2022

 Estou de férias e vou caminhar pelos próximos 15 dias.  

Depois de tudo o que aconteceu no mundo, percebo que poder viajar para caminhar em um lugar lindo é realmente uma bênção.

Até breve!


quinta-feira, 2 de junho de 2022

Sagrado

 O sagrado dos outros é sagrado:

https://br.noticias.yahoo.com/influenciadora-russa-e-presa-apos-posar-nua-em-arvore-sagrada-na-indonesia-203304309.html

Face ao sagrado, existem protocolos de aproximação, comportamentos exigíveis que devem ser observados.  Lembram da modelo que tirou fotos inadequadas junto às pirâmides? (https://direitoamemoria.blogspot.com/2020/12/modelo-presa-por-fotos-inadequadas.html)