quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A demolição da memória de Pablo Escobar

A idéia de superar fatos e personagens integra o direito ao esquecimento. Nesse caso, uma das estratégias mais eficazes é apagar os vestígios materiais relacionados, tal como fez Medellín com os imóveis relacionados a Pablo Escobar:

https://www.elespectador.com/noticias/nacional/antioquia/demolicion-del-edificio-monaco-la-lucha-contra-el-legado-de-pablo-escobar-video-841238

O passado e a memória são dinâmicos, a sua narrativa cria representações que perduram. Vilões tornam-se heróis através de poemas, loas, quadros, esculturas, e agora também filmes, que fixam um significado para a memória, que será transmitido ao longo das sucessivas gerações.

Às vezes me pergunto como os contemporâneos viam Robin Hood, Alexandre ou Genghis Khan. Melhor dizendo, a visão de quem prevaleceu para a História, e por que?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Fotos do blog

As fotos do blog podem ser acessadas em seu mosaico interessante através de uma pesquisa no Google Imagens:  é só colocar "direitoamemoria" na pesquisa.

É tão legal!

Tem bens arqueológicos, monumentos, frutas, flores, dias ensolarados, obras artísticas, relógios de sol, minhas lembranças e minhas andanças. Parece uma cornucópia caótica, e eu adoro cornucópias e relógios de sol.

Vou colocar algumas delas no instagram (sim, porque agora eu também tenho).

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Relógios (4): Relógio de sol do Complexo Franciscano em João Pessoa.



Lindo

O relógio estava em uma área sombreada por lindas árvores, e por isso não estava funcionando, mas não é justo reclamar disso.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Complexo Franciscano de João Pessoa, PB.


Monumento lindo.

Uma paisagem como antigamente

A beleza de agora
Tudo impressiona nesse conjunto. Os leões chineses guardando a entrada, se juntam com as carrancas das escadas para espantar maus espíritos.

Os azulejos. O cruzeiro. O sol. A paisagem deslumbrante. A lembrança do cheiro de mirra, que brotava do chão pelo caminhar contínuo dos padres.

O edifício, testemunha imponente do passado e da paisagem da cidade.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Boas lembranças... Rio do Sul

Lugar bonito.

Vendo Rio do Sul
E bem peculiar. Uma pequena cidade separada por um rio, que se torna  Itajaí-Açu, tendo imigrantes italianos em uma margem, e alemães na outra.  Do lado de lá, agricultura familiar, fabricação caseira de queijos e vinhos. Do lado de cá, industrialização e transformação de matéria-prima, desde os primórdios da ocupação urbana.

Mais do que duas formas de produzir, são duas mentalidades que geram dois modos de viver distintos, em uma paisagem que se (e me) confunde. "Rurbana", ou quase isso, cercada de montes.

Paisagem de um dos bairros

O passado indígena foi borrado, e sua memória está restrita aos topônimos e a uma escassa população, cada vez mais rara.

As identidades "italiana" e "germânica" lá não viraram política pública e nem atrativo turístico. Essas origens são predominantemente cultivadas na vida privada das famílias, e repassadas através das gerações, mas existem comemorações coletivas como a Kegelfest e a Anima Italiana.

Lá, o frio é o personagem mais falado.  É um habitante querido/temido da cidade, e frequenta a maioria das conversas rápidas entre os conhecidos que se encontram. "E esse frio?", é a senha para começar a conversa.  Se a conversa for com alguém de fora, que vem de uma ensolarada região do Brasil, é um pouco diferente: "E esse frio? Você ainda não viu nada.  O frio grande vem amanhã."

Infelizmente, a cidade é abalada por uma enchente quase anual, que afeta toda a região (http://direitoamemoria.blogspot.com/2015/03/trauma-e-memoria-coletiva-2-marcos.html).  Os moradores orgulham-se do serviço prestado pela Defesa Civil do município, e da forma como conseguem se organizar para conviver com essa questão.  Quando a enchente passa, a cidade recupera-se rapidamente, em horas, com a preservação da vida das pessoas e dos seus bens.


Caminhando entre o rural e o urbano

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Sobre reproduções (2)

Poderia ser um post da série "Paleontologia Imaginária",  como algum destes:



Mas preferi pensar o caso sob o ponto de vista das reproduções, porque é o que estou pensando no momento.

Reprodução de fóssil em Ingá-PB

Os paleontólogos estão sempre metidos em buscas interessantes. Imagina encontrar um fóssil assim...


Chegando mais perto, porque não morde
A função desta reprodução é permitir que crianças simulem uma escavação paleontológica, e tenham a emoção (ainda que simulada) de encontrar um fóssil.  É uma das atrações do museu de Pedra do Ingá, que guarda artefatos paleontológicos e arqueológicos.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Formas de lembrar (17): um chocolate?

O vídeo foi publicado em 12/02/2017, há dois anos,  mas não consigo esquecer: https://www.youtube.com/watch?v=qNbwQenDpWI

Sem dúvida, você está fazendo isso errado. Péssima idéia, acho que é errado sorrir, mas em alguns momentos não consegui evitar.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Tamarindo da desventura de Augusto dos Anjos

Tamarindo da desventura do poeta

Desventurado tamarindo

"Agora sim! Vamos morrer, reunidos
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!

Ah! Esta noite é a noite dos vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!

Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o futuro, em diferentes,
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,

Na multiplicidade dos teus ramos,
pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte inda teremos filhos!"

______________

O tamarindo está produzindo filhos.  Embora a árvore esteja desventuradamente morrendo, já foram produzidas mudas e nasceu uma nova árvore de suas raízes.

Augusto dos Anjos, poeta e profeta.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Bíblia - Projeto de Lei propondo a sua transformação em patrimônio imaterial nacional e da Humanidade


O projeto nº 01 da Câmara dos Deputados em 2019 visa a transformar a "Bíblia Sagrada" em patrimônio imaterial: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=473EAE2FF53470AC0F39340E982C480C.proposicoesWebExterno1?codteor=1706761&filename=Tramitacao-PL+1/2019


Patrimônio imaterial, ok, quase acertamos na categoria.  A idéia é compreensível, mas instrumento errado e impossível.  Gostaríamos de pontuar algumas reflexões sobre o tema:

a) A Bíblia não é um livro único, existem muitas versões e com diferenças marcantes entre si quanto aos livros que a compõem.

Ao transformar a "Bíblia" em patrimônio imaterial, de fato o Sr. Deputado pretende transmitir e difundir um certo corpus que, neste caso, não é uniforme entre as diversas  comunidades cristãs, por exemplo, há diferenças entre a Bíblia protestante e aquelas da Igreja Católica, e há diferentes bíblias ao longo do tempo.

Então, de que "Bíblia" estamos falando? Vamos proteger uma tradução ou o "original"?

b) A criação de patrimônio acautelado por lei não é o procedimento mais adequado, por se tratar de mero título.  Para reconhecer um bem cultural como patrimônio acautelado pelo Estado o ideal é fazê-lo através de ato administrativo complexo, que envolva fases de identificação e estabelecimento de uma estratégia de salvaguarda.

c) A lei federal evidentemente não pode criar o patrimônio da Humanidade.  Existe um brocardo jurídico muito invocado na Hermenêutica que diz que "a Lei não contém palavras inúteis", esse é um grande exemplo de que a lei pode conter palavras erradas, impossíveis ou mentiras.

O erro - de acreditar que uma lei nacional pode constituir patrimônio da Humanidade - transformado Lei vai causar um problema para os intérpretes, que vão tentar encontrar uma solução para compreendê-la.  Não dá, está errado, o Congresso Nacional não tem essa competência.

d) O título vai alterar o nome do livro?

e) Por que transformar a Bíblia Sagrada em "patrimônio imaterial do Brasil"?  Por favor, não deixem de ler a exposição de motivos que consta do link transcrito acima.

Essa norma tem grande possibilidade de ser aprovada sem maiores reflexões, nem mesmo menores como essa que fiz brevemente neste post.  Espero, realmente, que haja uma consulta pública para que possamos discutir o tema embora, algumas vezes, meramente lançar questionamentos possa ser encarado como heresia.

Perguntar, em geral, não devia ofender.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Sobre reproduções (1)


Muito tato com o patrimônio arqueológico

Calma, é uma réplica.

Foi feita para reproduzir as gravuras da Pedra do Ingá e permitir que as pessoas a toquem, o que ajuda às pessoas com deficiência visual a entender melhor o bem arqueológico.

São boas justificativas para uma réplica: preservar e divulgar.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Conferido

Conferindo se o horizonte está no nível, como fazem os pedreiros.


Fabiana Dantas
Olha o nível

Nível, ok. Horizonte, mar e cerveja, tudo alinhado.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Visita ao Memorial Augusto dos Anjos em Sapé (2)


O Memorial Augusto dos Anjos em algumas imagens:

Sombra magra


Batistério do poeta

Recibo da ama-de-leite