sexta-feira, 29 de junho de 2018

Memória Poética - Zé Ramalho


Numa luta de gregos e troianos
Por Helena, a mulher de Menelau
Conta a história de um cavalo de pau
Terminava uma guerra de dez anos
Menelau, o maior dos espartanos
Venceu Páris, o grande sedutor
Humilhando a família de Heitor
Em defesa da honra caprichosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

Alexandre figura desumana
Fundador da famosa Alexandria
Conquistava na Grécia e destruía
Quase toda a população Tebana
A beleza atrativa de Roxana
Dominava o maior conquistador
E depois de vencê-la, o vencedor
Entregou-se à pagã mais que formosa
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor

A mulher tem na face dois brilhantes
Condutores fiéis do seu destino
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes
A bravura dos grandes navegantes
Enfrentando a procela em seu furor
Se não fosse a mulher mimosa flor
A história seria mentirosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

Virgulino Ferreira, o Lampião
Bandoleiro das selvas nordestinas
Sem temer a perigo nem ruínas
Foi o rei do cangaço no sertão
Mas um dia sentiu no coração
O feitiço atrativo do amor
A mulata da terra do condor
Dominava uma fera perigosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
(Canção "Mulher nova, bonita e carinhosa", de Zé Ramalho).

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Os fatos históricos não são tão precisos, mas a verdade é que as histórias de amor atravessam gerações, e, até nelas, quem conta um conto, aumenta um ponto.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Sonhos e memórias

Alguns dizem que sonhos são formas de lembrar, e outros que são formas de ver o futuro. E há quem diga que são uma forma de faxina, utilizada pelo cérebro para se livrar de impressões.

Não sei do que são feitos os sonhos, mas os meus são bem interessantes. Até já participei de uma passeata pela preservação do torrone (http://direitoamemoria.blogspot.com/2013/06/salvem-o-torrone.html)

Ultimamente, estou sonhando muito com provas e exames, fonte de muita angústia.  Volto ao colégio e estou sempre sem as minhas tarefas.  Estou sempre na iminência de fazer uma prova para a qual não estudei, e no limite de ser reprovada em alguma coisa.

Vixe.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Restruição (5): Salve (são) Jorge

Restruição, quando a restauração provoca um dano em um bem cultural.  Já carpimos e sofremos aqui no blog pelo Ecce Homo da Iglesia de Borja (http://direitoamemoria.blogspot.com.br/2012/08/restruicao.html), pela máscara de Tutancamon (http://direitoamemoria.blogspot.com.br/2015/01/restruicao-2-iconica-mascara-dourada-de.html), pela fonte de Ibitinga (http://direitoamemoria.blogspot.com.br/2015/07/restruicao-3-o-caso-da-fonte-de-ibitinga.html) e peo Castillo de Matrera (http://direitoamemoria.blogspot.com/2016/03/restruicao-4-o-caso-do-castillo-de.html.

Eis que até  um santo virou vítima de restruição na Espanha: https://https://www.bbc.com/portuguese/internacional-44618307?ocid=socialflow_facebook.

Vamos chorar e ranger os dentes.

Rezemos.

domingo, 24 de junho de 2018

Lembrar Cássia Eller

Cássia Rejane Eller é uma grande cantora brasileira, falecida em 2001.

Eu adoro música em geral, qualquer gênero, e já fiz até uma lista das músicas brasileiras que eu adoro (http://direitoamemoria.blogspot.com/2014/07/dez-musicas-brasileiras-que-eu-adoro.html).  Músicas são as trilhas sonoras da minha vida e das minhas memórias (http://direitoamemoria.blogspot.com/2013/10/musicas-e-lembrancas.html), ilustram sentimentos e desejos (http://direitoamemoria.blogspot.com/2013/04/musicas-de-um-tempo-em-que-o-mundo.html?m=0).

Tudo isso para dizer que acho, só acho, que todas elas seriam melhor com Cássia Eller.  Qualquer uma. Qualquer estilo. Qualquer época.

Hoje passei o dia ouvindo-a cantar, assisti a um belo documentário sobre a sua vida e carreira, ouvi entrevistas.  Hoje foi o dia de lembrar dela.

Mas também lembrei de uma fase da minha vida tão interessante, há uns dezessete anos. Fui morar sozinha - contrariando a vontade dos meus pais - , fiz um monte de coisas diferentes, experiências que ajudaram a construir a minha identidade.  Eu andava na rua, tomava os meus pileques quando queria (mas não dirigia), fazia o que queria, e ainda tinha tempo para cantar.

Os príncipes viraram uns chatos, que viviam dando no meu saco.  Parei de pensar que eles existiam, e isso foi muito libertador. Tudo bem, eu nunca tentei ser uma princesa mesmo.

Essa foi uma época de libertação, de ganhar malandragem para a vida, e a trilha sonora foi de Cássia Eller.

Eu gostava de vê-la cantar no palco, achava bonito.  Aliás, para mim existem duas cantoras belas de ver cantar: Clara Nunes (http://direitoamemoria.blogspot.com/2011/09/lembrar-clara-nunes.html) e ela.

Em tempos onde se discute tanto sobre o feminino, o feminismo, diga-se uma reflexão oportuna e necessária, especialmente para nós brasileiras, para mim foi ela quem melhor demonstrou a importância de ser livre.

Era irrelevante o "como":  se ela usava um moicano verde, se bebia, se gritava, ou sei lá. Tudo o que importava para mim, e ainda é assim, eram as suas idéias de liberdade, a música, e aquela voz.

Que voz.