Em geral é impossível saber como uma história de assombração começa, não só porque o patrimônio imaterial tem origens imemoriais e autoria não determinada, mas principalmente em um lugar onde há tantas e tão variadas que mais uma assombração não chama a atenção e nem mete medo.
Aqui estão em todos os lugares, escondem-se nas esquinas da História para nos dar sustos assim que viramos, e às vezes até parecem ficção (https://direitoamemoria.blogspot.com/2026/03/perna-cabeluda.html), mas não se enganem, são muito reais.
Tudo isso para dizer, solenemente, que eu sou uma assombranção involuntária. A mulher de branco do Forte Orange sou eu.
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Em 2022 participei de um evento no referido Forte, que começava ao raiar do sol com uma meditação. Eu estava toda vestida de branco e cheguei mais cedo do que todo mundo, às 3:30 da manhã.
Como eu gosto de monumentos, e estava sozinha, resolvi passear ao longo das muralhas, conversando com o Forte de vez em quando, pois temos uma história linda e longa juntos.
Enquanto andava de madrugada, acariciando lentamente as paredes e murmurando palavras de carinho e incentivo, percebi que havia duas pessoas em um lugar próximo, mas longe o suficiente para se tornarem um borrão àquela hora.
Quando retornei as pessoas não estavam mais lá, e não pensei mais nisso.
Todos os anos eu volto para o mesmo evento e, no ano seguinte, coloquei o meu uniforme branco e fui para o forte, às 4 h da madrugada. Ao passar pela recepção do hotel, que fica ao lado do monumento, fui avisada para tomar cuidado pois havia notícias de que uma mulher de branco estava assombrando o lugar.
Nada surpreendente pois foi um lugar onde batalhas ocorreram, e mulheres de branco aparecem em todo lugar por aqui.
Mas dessa vez, quando cheguei e comecei a percorrer o perímetro do forte, vi pessoas correndo desesperadas, e tudo isso antes do sol nascer.
Foi aí que eu percebi que a mulher de branco era eu, e que a lenda (ou o trauma) tinha começado em 2022.
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Em 2024 o vulto branco virou certeza.