O brasileiro não tem memória.

Neste blog desmascaramos esta mentira.









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sábado, 4 de julho de 2026

Vai para o blog!

Essa é a frase que equivale a um tipo de certificação.

Todo muito que vê alguma coisa interessante sobre patrimônio cultural, memória e direito à memória fala "olha Fabiana, para o blog!".

Boa!

Continuem mandando e comentando, sensibilizando o olhar para o patrimônio cultural e para a memória coletiva.  

Essa é a função deste blog: discutir, promover e continuar amando tudo o que diz respeito à memória.

Muito obrigada!

segunda-feira, 29 de junho de 2026

São João e Copa do Mundo juntos?

Nunca mais, isso não está certo.

Não dá para ter dois eventos dessa magnitude na mesma época.  

O calendário tem que considerar que são duas comemorações com finalidades, espíritos, manifestações e vestimentas totalmente diferentes.

A alegria e a histeria assumem formatos diferentes e não dá para juntar duas festas porque, além de ser um desperdício de oportunidades para festejar, ainda tem efeitos nefastos na nossa identidade coletiva.

Percebi um grande esforço das pessoas em tentar dar coerência a estados de espírito tão diferentes, fadado ao fracasso porque não dá para combinar São João e Copa do Mundo.

Esse esforço, ainda que bem intencionado, produziu alguns dos maiores atentados ao patrimônio cultural brasileiro, por exemplo, beber caipirinha com tira-gosto de pamonha.

Esse é, sem dúvida, o fundo do poço comemorativo.

Nem falo das quadrilhas juninas vestidas de verde e amarelo, as cores sagradas da seleção canarinho, que até ficaram bonitas, mas deixaram os belos vestidos de chita colorida fora da festa.

É isso, não dá para combinar.  A experiência não deu certo e da próxima vez deveriam proibir a Copa do Mundo nessa época junina.

Mas o maior problema de calendário mesmo foi que os jogos do Brasil na primeira fase ocorreram em dias de santos:

13 de junho, dia de Santo Antônio; Brasil x Marrocos

24 de junho, dia de São João: Brasil x Escócia

29 de junho, dia de São Pedro: Brasil x Japão

Caso essa "coincidência" seja mantida na próxima Copa do Mundo, para nós isso será prova cabal de que esse padrão propiciatório deverá ser mantido para sempre, sob pena de efeitos catastróficos para os resultados da nossa seleção. 

Tudo isso é demais para a nossa superstição aguentar então FIFA, por favor, vê se não faz mais isso.

Agora temos que verificar qual o santo de cada dia das próximas fases. Para a nossa sorte há muitos, por exemplo, o Brasil jogou dia 19/06/2026 que é o dia dedicado à Santa Juliana Falconieri, São Gervásio e São Protásio, e São Romualdo.

O próximo dia de jogo é 05/07, dia de Santo Antônio Maria Zaccaria.

Agora é descobrir se cada um desses santos tem alguma igreja aqui por perto e qual a oração de sua preferência.



sexta-feira, 26 de junho de 2026

Videocassete

 O Arquivo Nacional do Brasil está com uma campanha para arrecadar aparelhos de videocassete (VHS):

https://www.instagram.com/p/DYnZPXyDEcg/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

É uma beleza porque querem preservar a tecnologia e acessar o acervo que utiliza essa mídia.

Eu me desfiz do meu aparelho VHS quando a minha videolocadora encerrou as suas atividades (https://direitoamemoria.blogspot.com/2023/09/videolocadora.html).  Agora tenho algumas fitas que adquiri, com alguns dos meus filmes favoritos, e não posso assistir.

Vou esperar a próxima campanha de doação do Arquivo Nacional para mandar o meu Cd player, e também minhas fitas queridas.



segunda-feira, 15 de junho de 2026

7 X1

Outra Copa, mesmo time traumatizando nações.

A Alemanha ganhou o jogo contra a seleção de Curaçao, na Copa de 2026, pelo placar infame de 7 X 1.

Nós passamos por isso há doze anos, na Copa de 2014 , e acreditem, não esquecemos

(https://direitoamemoria.blogspot.com/2014/07/copa-do-mundo-do-brasil-2014-reflexoes.html).

 Curaçao, nós entendemos.




quinta-feira, 28 de maio de 2026

Alfinim

Alfinim, também conhecido como Alfenim, aqui onde habito é um doce de coco, com esse formato quadrado.

Em outros lugares apresenta-se mais cheio de frescuras e delicadezas, como formatos de flores e animais, fazendo jus ao nome porque a palavra alfinim também é um xingamento antigo.

Um xingamento da época em que ser delicado era um defeito.

Olha aí a perdição:

O danado - Foto: Fabiana Dantas

Esse é o doce da minha infância cheia de doces porque no meu lugar do mundo a indústria do açúcar sempre foi a base da economia.  A minha região é famosa pelos doces e por tudo de bom e de ruim que eles proporcionam.

Tentando educar as novas gerações fiz uma sessão de degustação de alfinim com Ben e Ramiro, que é a desculpa perfeita para que eu e minha mãe pudéssemos exagerar sem dar satisfação à consciência pesada.

Eles detestaram.

Aqui há um problema intergeracional claro na transmissão desse patrimônio cultural porque, se  na minha época havia poucas opções e era sempre um grande evento comer alfinim, hoje há uma grande variedade de guloseimas muito coloridas e de sabores inusitados, o que afastou o interesse por esse doce tão leve e mimoso.

Por favor, alfinim não é bala de coco. É mais que isso: é a rota da conquista da Península Ibérica pelos árabes (como o nome revela), seu caminho pelo Atlântico até chegar ao Brasil, feito por mãos femininas e que ajudou a sustentar e alforriar muitas mulheres.

Ouviram, Ben e Miro? Não é um doce branco e sem graça, é doce história.  É a infância de vovó Iracema e de Tia Fabiana, evocada em torrões de memórias felizes.

Esse breve vídeo fala do alfinim como a origem das balas de coco, que eu também adoro:

https://globoplay.globo.com/v/13912650/




sexta-feira, 15 de maio de 2026

A beleza de Anitta

Que beleza de álbum é o Equilibrium (2026) de Anitta.

Passei a semana escutando as músicas e fiquei encantada com a linguagem pop vinculada à religiosidade ancestral do Candomblé.

Anitta conseguiu trazer referências e informações sobre a religião dela de uma forma tão leve, para mim respeitosa e bela, que sem dúvida significa um novo patamar na sua obra e na sua vida.

Além de serem músicas muito legais, é louvor que se pode tocar em qualquer lugar, até mesmo em boates, o que é incrível. Ir para a balada sem perder a noção do sagrado é uma forma de redenção e de proteção espiritual.

Gostei muito de todas as músicas, o que é muito raro em um disco. Ajuda porque agora não tem mais lado A e lado B, sendo que esse último sempre foi o meu preferido.  Sempre gostei das músicas que não eram escolhidas para ser sucesso e por isso vinham no lado A, porque o lado B sempre me pareceu mais arredio e inesperado, com as músicas cuja a beleza passou abaixo do radar das gravadoras.

Do ponto de vista do patrimônio cultural e da memória coletiva o disco Equilibrium representa uma promoção dos bens culturais de matriz afro-brasileira, contribuindo de maneira incrível e muito eficiente para o acesso às fontes da cultura nacional, realizando o disposto no artigo 215 da Constituição Federal, que transcrevo:

Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.

§ 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.     

 2º A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes segmentos étnicos nacionais.

 3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que conduzem à:      

I defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro;       

II produção, promoção e difusão de bens culturais;        

III formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões;        

IV democratização do acesso aos bens de cultura;         

V valorização da diversidade étnica e regional

Esse artigo, combinado com o artigo 225 da Magna Carta Brasileira, impõe a todos o dever de colaborar com o Estado para a preservação e promoção do patrimônio cultural, obrigação cívica que Anitta cumpriu lindamente.

O acesso às fontes da cultura nacional exige que seja ofertada à população informação de qualidade sobre os bens culturais.  Tenha absoluta certeza de que os fãs de Anitta e as pessoas que ouvem as músicas e vêem os vídeos (que são um capitulo à parte) vão ficar interessadas e motivadas a pesquisar mais sobre o Candomblé e os orixás, buscando acessar as fontes da cultura nacional.

E também vão buscar entender as referências e remissões que são feitas a outras músicas, por exemplo ao Canto de Ossanha, de Baden Powell e Vinicius de Moraes.

A religação proposta por Anitta é com a fé e com o patrimônio de matriz afrobrasileira, mas também com uma tradição musical dos anos 60/70, com especial menção ao disco Os Afro-sambas (1966), essa beleza de obra de arte.

A função da arte é estimular e fazer pensar, e com certeza Anitta alcançou esse objetivo com a sua expressão artística.

Para ouvir as músicas do disco Equilibrium, basta acessar o canal oficial de Anitta: https://www.youtube.com/channel/UCqjjyPUghDSSKFBABM_CXMw

Para ouvir o disco Os Afro-sambas: https://www.youtube.com/watch?v=E7k5laXSu7I&list=RDE7k5laXSu7I&start_radio=1

terça-feira, 12 de maio de 2026

Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19: Lei nº 15.406, de 11 de maio de 2026

Foi instituído o dia 12 de março como a data comemorativa da lembrança das vítimas de Covid-19 pela Lei nº 15.406, de 11 de maio de 2026:

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15406.htm

Conforme o texto da lei, a data de 12 de março foi escolhida porque ocorreu "o falecimento da primeira pessoa brasileira em decorrência da Covid-19", adotado como marco para " honrar a memória das vítimas da pandemia do coronavírus SARS-CoV-2".

Lembrando que "comemorar" significa lembrarmos juntos.  Então, no dia 12 de março de cada ano, lembraremos das mais de 700 mil vítimas da pandemia (https://direitoamemoria.blogspot.com/2023/03/700-mil.html),

A função deste blog é lembrar, e fizemos o registro da pandemia por meio de impressões, relatos diários, a divulgação de iniciativas como o memorial virtual para as vítimas da COVID-19 (https://direitoamemoria.blogspot.com/2020/05/memorial-virtual-para-as-vitimas-de.html), além de iniciativas periódicas de discutir o tema para avivar a memória individual.

Se tem lei, tem História.



terça-feira, 24 de março de 2026

Perna cabeluda

É muito estranho ver a nossa assombração local ser compartilhada no mundo todo e, mais estranho ainda, vê-la sendo tratada como uma metáfora.

Sim, a perna cabeluda foi um artifício para driblar a censura, permitindo que os jornalistas reportassem a violência cotidiana como se fosse um conto de terror, o que na verdade era.

Mas é preciso esclarecer que nós daqui realmente tememos as duas pernas cabeludas - tanto o disfarce da violência real, como a impressão que assombra a nossa memória coletiva.

Eu aprendi o medo que me foi transmitido, embora racionalmente sempre tenha apontado que, dentre todas as assombrações que habitam a minha cidade, a perna cabeluda certamente não era a mais assustadora.  Posso pensar rapidamente em umas dez que a ultrapassam na lista.

Minha pouca reverência baseia-se no fato de que eu sempre achei que era muito fácil esquivar da perna cabeluda, mas essa minha confiança ingênua não considerava que a vítima pode ficar paralisada com o choque ou pelos poderes da assombração, e daí não conseguir se defender dos chutes.

Só comecei a ter medo real da perna cabeluda quando entendi o que significava sofrer violência e ser obrigado a calar-se, que é o que acontece quando a democracia vai embora e nos deixa indefesos.

Vivemos em um mundo em que as assombrações estão vivas na memória coletiva e sempre rondando. Algumas nós entendemos e deixamos habitar a imaterialidade que enriquece a vida e dá o pretexto para conversar e contar estórias.

Às outras devemos estar sempre atentos.

domingo, 15 de março de 2026

Oscar 2026 - O Agente Secreto

Eu poderia escrever esse post amanhã, quando já sabido o resultado da premiação, mas resolvi escrever hoje porque não importa quem vencer já estamos comemorando.

Talvez o resto do mundo não saiba, mas nós brasileiros crescemos assistindo à cerimônia do Oscar simplesmente porque passava na televisão.

E assistir à televisão, e qualquer coisa que nela passasse, era o esporte favorito e mais constante dos brasileiros.  Desde que foi inventada a televisão alcançou a façanha de atingir quase a totalidade dos lares brasileiros e isso permitiu a promoção de programas educativos (como o Telecurso), de teledramaturgia e esportes com um alcance enorme, com efeito coagulante do sangue nacional.

Com a cerimônia do Oscar não é diferente. Acostumamos a assistir e, para quem gosta de cinema como eu, havia um ritual a fazer que era assistir aos indicados a melhor filme nos cinemas da minha cidade para poder torcer com autoridade.

No ano passado assistimos a um filme brasileiro ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro (o maravilhoso Ainda estou aqui), o que foi motivo de grande festa.

Mas esse ano está especial para nós.  

A indicação do filme "O Agente Secreto" nos deu motivo para beber e festejar, continuando o carnaval que não terminou.

Neste exato momento, e independentemente do resultado da premiação, há pessoas comemorando e festejando só porque um filme brasileiro está concorrendo, e lá do lado de fora do cinema São Luiz, que é um dos personagens do filme.

Tem gente apostando também porque isso virou uma mania nacional.

Mas não importa se o filme ganhar ou não ganhar, pois vamos beber e festejar do mesmo jeito.

Se o filme ganhar em alguma das cinco categorias a que foi indicado, provavelmente será feriado aqui porque as pessoas não terão condições de trabalhar.

A cada Oscar conquistado tenho certeza que a progressão da ressaca será geométrica.

Viva o Agente Secreto e à reflexão sobre a memória que a obra de arte proporciona!

Evoé!


sexta-feira, 13 de março de 2026

Ruina como arte

E quando o artista não QUER que a sua obra seja preservada porque os efeitos do tempo a completam?

Não estou falando de pátina, estou falando de deixar a obra receber intempéries e se transformar com o tempo.

A ideia de preservar baseia-se em evitar ou mitigar os efeitos deletérios, humanos ou naturais, mas não quando o artista quer incorporar esses efeitos deletérios na própria obra.

Com o tempo o bem artístico vai gradualmente se transformar e ser destruído, e nós só teremos imagens, desenhos e vídeos para mostrar às futuras gerações.

Ele proibiu restauros.

(Pausa para eu dar chiliques)

E a cada vez que eu retorno para ver a obra ela está pior (para os meus olhos), e seguindo o curso da vida dela, na visão do artista.

É de enlouquecer, mas é a vontade do autor.

Respeito a vontade do autor, droga.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Carnaval do Brasil - Coisas que você não sabe

Quem é estrangeiro, ou mesmo brasileiro que incompreensivelmente nunca brincou um carnaval de verdade, nem desconfia de alguns aspectos pouco comentados dessa celebração.  Decidi, do alto da minha vasta experiência carnavalesca, apontar algumas informações que ajudarão a entender o cotidiano do carnaval:

a) As pessoas falam em brincar carnaval, mas na verdade levamos muito a sério. O carnaval é uma festa de proporções épicas que exige muito planejamento dos poderes públicos, redimensionamento dos serviços e toda uma infraestrutura para dar segurança aos foliões.

b) Em alguns lugares onde o carnaval é uma festa tradicional, como aqui nesse cantinho festivo que habito, já existe um protocolo das medidas que funcionaram em situações extremas, então sabemos exatamente quais são as providências a adotar para que a festa ocorra.

c) Mas além desse planejamento coletivo, existe também um importante planejamento individual porque os serviços e as lojas estarão fechadas. Há que se pensar em estocar comida e bebida, providenciar os remédios contra a ressaca e dores musculares e não contar, em termos gerais, com qualquer tipo de delivery porque não dá para passar pelas ruas mesmo.

d) Se você não se preparar logisticamente, e suficientemente, os seus próximos 6 ou 12 dias (dependendo do local em que você está festejando) serão bastante complicados.

e) Há que planejar as fantasias e roupas de folia, a maquiagem, e a ressaca. Roupas leves, fantasias engraçadas, e boa hidratação são fundamentais para garantir que os atletas da folia consigam sobreviver;

f) O carnaval é também uma festa de autoconhecimento.  Você vai descobrir a diferença entre o que pensa que consegue fazer, e aquilo que efetivamente faz.  Pular pelas ladeiras durante 6 dias é um esporte de impacto, ainda mais nas posições estranhas que o álcool proporciona.

g) Você vai acordar todo dolorido (a), e com tanta purpurina nos olhos, na boca e no cabelo que não vai ter conserto.

h) Convide o bom senso e as boas ideias para brincarem com você porque, quando a quarta-feira chegar, haverá cinzas no seu coração mas, esperamos, não emporcalhando a sua moral.

i) Mas se a sua liberdade levar para situações estranhas, aprenda a navegar através do álcool para chegar em um lugar seguro.

j) E lembre, ninguém está nem aí para o que você está fazendo. Isso é muito bom, mas se você precisar de ajuda os foliões podem achar que você está brincando.

l) Escolha um lugar bom para brincar, aquele pequeno quadrado no meio da multidão em que você possa chegar com facilidade nos agentes públicos, ou cair sem ser pisoteado.

m) Como em tudo na vida, se você é iniciante vá aprendendo que em poucos carnavais você vai aproveitar cada vez mais.

n) Você vai aprender que o contato humano é contínuo, com tudo de bom e de ruim que isso tem. Tome cuidado, e lembre-se sempre de quem você é, dos seus limites, e da sua liberdade.

O carnaval muda a nossa maneira de sentir e de viver e, quando brincado profundamente, é uma experiência transformadora que marca indelevelmente a nossa memória individual e coletiva.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Carnaval 2026

 Eu não vou.

Não vou mas vou evocar as lembranças de todos os meus carnavais em 2026.  Meu repertório é composto por tanta graça, tanta emoção, tanta alegria, que tenho certeza que nas próximas vidas que eu tiver vou dar risadas sem motivo.

Ou vou reencarnar fantasiada de alguma coisa maluca, como já fiz tantas vezes nesta vida.

Eu desejo a todos um carnaval verdadeiro, profundo e visceral, que produza memórias indeléveis e felizes.

Nesse estado alterado de espírito seja muito feliz, brinque como se não houvesse amanhã, e celebre furiosamente.

O carnaval é alegria e liberdade (dentro da regra, como diria São Tomás de Aquino), e o melhor é quando ele passa deixando só aquela felicidade e irreverência que nos concede viver mais um ano de forma mais leve, até reabastecermos a alma no próximo carnaval.

Enquanto houver carnaval verdadeiro seremos sempre melhores e felizes, simplesmente porque para brincar e ser feliz não precisa de nada.  Basta ir para a rua e ver todo mundo alegre celebrando juntos.

Sim, eu citei São Tomás de Aquino nesta mensagem de carnaval, e se você quiser se fantasiar como ele, fica a dica.

Eu não vou, mas vou lembrar e ser feliz.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

8 de janeiro - marco da resistência democrática

8 de janeiro converteu-se em um marco da construção da democracia no Brasil, momento de lembrar da última tentativa de ruptura da ordem constitucional mediante uma tentativa de golpe de Estado, o último de uma série da nossa conturbada história.

8 de janeiro é uma data para lembrarmos juntos e exercer o dever de memória para entender, prevenir e reagir porque a democracia, principalmente as mais jovens e vulneráveis, precisam de atenção, vigilância e cuidado constantes até se tornarem maduras.

O ataque físico e simbólico aos poderes da República trouxe consequências jurídicas variadas, e assistimos a uma batalha pela marca onde lados opostos reivindicaram significados diversos. Não houve, em torno do marco, o esperado consenso de repudiar a violência contra as instituições, fato que por si já ajuda a identificar o joio e o trigo.

Pergunte-se quem apoia a violência contra as instituições, agentes da segurança pública e o patrimônio cultural.  Pergunte-se quem pôs em risco a ordem pública, e descobrirá quem conserva e quem destrói.

Para lembrar sempre o 8 de janeiro, porque essa é a missão deste blog:


https://direitoamemoria.blogspot.com/2023/01/o-infame-8-de-janeiro-de-2023.html

https://direitoamemoria.blogspot.com/2023/02/todo-dia-8-de-janeiro.html

https://direitoamemoria.blogspot.com/2023/04/lembrar-o-dia-8-de-janeiro-de-2023.html

https://direitoamemoria.blogspot.com/2024/01/8-de-janeiro-de-2024.html

https://direitoamemoria.blogspot.com/2024/01/comemoracao-do-8-de-janeiro-ato.html

https://direitoamemoria.blogspot.com/2025/01/8-de-janeiro-de-2025-dever-de-memoria.html

sábado, 27 de setembro de 2025

Formas de lembrar (27): um docinho (ou muitos)

 Hoje é dia de São Cosme e São Damião, e aqui no Brasil nós celebramos a sua memória com a distribuição de doces às crianças, de qualquer idade, sem considerar o limite temporal mesquinho que põe fim à infância.

Algumas de minhas lembranças mais doces e divertidas ligam-se à celebração da memória dos santos Cosme e Damião (https://direitoamemoria.blogspot.com/2020/09/dia-de-sao-cosme-e-sao-damiao.html?sc=1758976359027#c1005048515125254729), e por isso hoje é dia de exagerar na sobremesa.

Recentemente descobri que algumas representações dos santos trazem uma terceira pessoa, geralmente interpretada como um irmão mais novo dos gêmeos (Doum), aparentemente com referência a um costume iorubá.

Como eu nunca ouvi falar disso, esse é um mistério que vale a pena pesquisar, e só por isso vou comer o triplo das sobremesas hoje.

Viva!

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Patxohã - Língua de Guerreiros (2016)

A luta das comunidades pela sua memória coletiva e individual é uma das facetas mais importantes do direito à memória.

Lutar para ser quem é, e conseguir passar essa identidade adiante, é para alguns grupos a forma mais urgente de sobrevivência.

Os povos originários do Brasil possuem uma cultura diversa, formas de fazer, sentir e modos de viver que são a base da sua autonomia e da sua identidade.

Proteger a sua identidade, a sua vida e o seu modo de vida é uma tarefa incessante, e até incompreensível para quem não passou por essa experiência de trauma geracional.

O documentário Patxohã Língua de Guerreiros (2016) mostra como a memória é uma conquista, e que o direito que lhe corresponde só pode ser efetivo se defendido permanentemente.

Para assistir:

https://www.youtube.com/watch?v=PuoHqbxugqY

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Cromo

 A minha mãe me pediu um cromo e eu não sabia o que era.

Perguntei como ela queria, só para não mostrar a minha ignorância, e respondeu que queria um normal e completo.

Gente, existem cromos anormais e incompletos?  Que coisa mais esquisita é essa de que eu nunca ouvi falar?

Procurei no Google e aprendi que pode ser um elemento químico ou fazer referência à cromolitografia, e nada disso me ajudou.

Finalmente, resolvi perguntar e ela disse que era aquele negócio que tem os dias.

Compartilhei a minha angústia com os meus irmãos e um deles sabia que era sinônimo de calendário, porque o meu avô chamava assim.

Ontem meu irmão levou um cromo para ela, com todos os meses e dias do ano de 2025, normal, completo e brilhante.

Agora o tempo está correndo e eu tenho que procurar o próximo cromo.


quinta-feira, 1 de maio de 2025

1º de Maio - Dia do Trabalhador

O trabalho dignifica quando garante a subsistência, viabiliza os sonhos e objetivos, e permite que o ser humano desenvolva as suas capacidades.

Esses itens constituem o que eu considero o cerne da felicidade no trabalho, autônomo ou com vínculo empregatício.

Eu sou feliz com o meu trabalho, e tenho dois empregos que me permitiram realizar muitos objetivos, e alguns sonhos, mas principalmente contribuíram para o meu enriquecimento pessoal. Por causa do meu trabalho tive que me capacitar, estudar, viajar e conhecer pessoas, e milhares de processos que, no final, são histórias e situações que as pessoas passam e nos ensinam pela experiência. 

Sem dúvida sou uma pessoa melhor, e minha vida é muito mais interessante, por causa do meu trabalho.  Tão interessante que eu decidi, nas horas vagas, criar um blog para falar de aspectos da minha vida profissional, do que eu estudo, escrevo, observo e de tudo que contribui para ampliar a minha compreensão para que eu possa trabalhar melhor.

Nesse feriado desejo a todos nós, trabalhadores, felicidade e crescimento, segurança e remuneração digna, lazer e tranquilidade para trabalhar melhor, nunca esquecendo porque essa data comemorativa foi criada.




segunda-feira, 28 de abril de 2025

Guiana Brasileira

Não tenho o hábito de participar ou contribuir com tretas, mas a questão da Guiana Brasileira chamou a minha atenção nessa semana.

A questão decolonial ou colonial reversa envolvida (ou quase) soma-se a um histórico de brincadeiras sobre a relação Brasil/Portugal que não nos passou despercebido.

A preservação do patrimônio imaterial português é fonte de permanente preocupação, principalmente  as questões da Língua Portuguesa, do sotaque e das formas de expressão.  Essa treta iniciou porque, em um cumprimento pela contratação de uma jogadora portuguesa, foram usadas expressões "brasileiras", o que foi motivo de reação.

A reação deve ser compreendida no contexto da preocupação com a preservação e reafirmação da identidade cultural portuguesa, fortemente enraizada na língua e nas formas de expressão. 

Já a reação brasileira, em tom jocoso obviamente, transforma Portugal em uma colônia brasileira digital, renomeando topônimos (que também são um patrimônio cultural português), a ponto de mudar o nome da Nação para Pernambuco em Pé (devido à extensão e formato do território), Faixa de Gajos ou Porto de Gajinhas.

Brincadeiras à parte não há dúvidas de que o Brasil exerce uma forte influência cultural, não só em Portugal mas nos demais países lusófonos, e que há uma certa ansiedade quanto a deixar de ser quem é.

Essa ansiedade pode ser gerenciada quando são identificados aqueles elementos culturais essenciais à identidade, que não se referem apenas ao que se convenciona apontar como patrimônio cultural, mas que estão difusamente enraizados nos elementos formadores do Estado, como o povo, o território, o governo (forma de Estado e de Governo, sistema, regime político), e na forma como esses elementos são promovidos ou obliterados.

Fiz uma  discussão quanto às formas de preservação desses elementos culturais do Estado (ou da nação) no livro Nação Enraizada - Estado, identidade e preservação, que publiquei em 2024.

Não vou fazer discussão teórica sobre memes, mas posso considerar o que nessas brincadeiras gerou reação e incômodo para entender quais são os elementos culturais mais caros aos portugueses. Eu ri muito, mas se não for engraçado, desde já peço desculpas.

Agora, por causa da brincadeira, a Guiana Brasileira já possui municípios, hino, bandeira (ainda em elaboração), e outros elementos que podem contribuir para que se torne um lugar lendário, como aqueles apontados por Umberto Eco.

O novo Estado ultramarino brasileiro é sem dúvida muito interessante.


quarta-feira, 26 de março de 2025

8 de janeiro e 26 de março

 8 de janeiro de 2023 foi a culminância da tentativa de golpe de Estado no Brasil.

26 de março de 2025, recebimento da denúncia contra acusados de serem os responsáveis pela tentativa de golpe de Estado, nominando autoridades que deveriam defender a legalidade e não o fizeram.

Que o devido processo legal nos dê conhecimento e sabedoria para fortalecer as instituições e criar um patrimônio democrático que possa ser legado às futuras gerações, para que elas não passem por traumas de rupturas tentadas ou consumadas.