Ontem à noite, quando voltava da aula na Universidade, tive que fazer um desvio porque a estrada estava em obras e algo mágico aconteceu.
Tive que passar por dentro de uma vila, que eu nunca teria visto não fosse o desvio, e lá estava ele: o modo de viver anacrônico.
Senhoras sentadas na calçada brigando com vizinhas e crianças. Crianças com suas bicicletas, pulando elástico e jogando amarelinha, que aqui chamamos de academia.
Interrompi dois jogos de futebol e uma amarelinha porque as crianças, pasmem, estavam brincando no meio da rua, exatamente como eu fiz em uma vila igual àquela há tantas décadas, quando visitava a casa dos meus avós maternos.
A descortesia de passar de carro no meio de um jogo de amarelinha será oportunamente corrigida.
Mesmo depois que a estrada estiver consertada, e o desvio não for mais uma imposição, vou continuar passando por ali. Quem sabe o meu carro e eu não nos tornamos familiares, e qualquer dia alguém me chama para comer bolo e tomar guaraná?
Cafezinho eu não posso porque, apesar de gostar muito de tomar café sem açúcar (https://direitoamemoria.blogspot.com/2026/02/dialogo-surreal-18-sobre-o-cafe-e.html), como menina adulta que sou, não tomo mais café à noite.
Mas um bolinho com guaraná eu sempre aceito. Escuto fofocas mas não retransmito e estou disposta a pular amarelinha, se o meu joelho permitir.
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