A letra dessa música tem muitos regionalismos, palavras só nossas, que nos ajudam a expressar mas dificultam o entendimento de quem é de outro lugar. Todo mundo que já teve a sorte de amar alguém de verdade passou por isso e vai entender, qualquer que seja a cultura que formatou o seu sentimento:
Neste blog desmascaramos esta mentira.
terça-feira, 7 de maio de 2024
Memória Poética - Lembrança de um beijo (Accioly Neto)
sexta-feira, 11 de novembro de 2022
Memória Poética - Eternamente - Gal Costa
Só
mesmo o tempo
Pode revelar o lado oculto das
paixões
O que se foi
E o que não passará
Inesquecíveis sensações
Que sempre vão ficar
Pra nos fazer lembrar
Dos sonhos, beijos
Tantos momentos bons
Só mesmo o tempo
Vai poder provar
A eternidade das canções
A nossa música está no ar
Emocionando os corações
Pois tudo que é amor
Parece com você
Pense, lembre
Nunca vou te esquecer
Vou ter sempre você comigo
Nosso amor eu canto e cantarei
Você é tudo que eu amei na vida
Nunca vou te esquecer
____
Para ouvir Gal Costa encantando: https://www.youtube.com/watch?v=P3OZsKIcjdQ
sábado, 12 de março de 2022
Memória Poética: Nine Inch Nails
Essa canção, Hurt, é pura lembrança:
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember everything
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
The feelings disappear
You are someone else
I'm still right here
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
A million miles away
I would keep myself
I would find a way
Essa música é ótima na versão original e dolorosa na voz de Johnny Cash. Quanta dor na frase "I remember everything", remetendo à vida conturbada de todos nós.
As lembranças nos machucam profundamente. Força poderosa que molda comportamentos, e às vezes um fardo muitíssimo pesado para carregar.
domingo, 21 de fevereiro de 2021
Memória poética de carnaval - Cidade Elétrica
"Cidade elétrica" (Manno Goés)
Que pedras portuguesas
Pra cada dia um santo, um manto
Para cada esquina, um canto
Milhões de ampéres movidos a carvão e paixão
Minha cidade é maravilhosa
Minha cidade é elétrica
Energia solar
Festa histórica
Ótica da crença
Tudo aqui tá ligado
Aqui tudo é dança
Fevereiro apaixonado
Tudo aqui balança
Chuveiro de água benta pra lavagem de escada
Alma lavada de fé
Um choque de alegria
Na força da fantasia
Cidade elétrica
Cidade elétrica
Nova, antiga, ginga, toca, liga, liga, liga
Cidade elétrica, cidade elétrica
Plug, poesia e canção
Na estética
Na prática
Na mágica
Na corrente do coração
terça-feira, 16 de junho de 2020
Carrossel do destino - Antônio Nóbrega e Bráulio Tavares
Deixo os versos que escrevi,
As cantigas que cantei,
Cinco ou seis coisas que eu sei
E um milhão que eu esqueci.
Deixo este mundo daqui,
Selva com lei de cassino;
Vou renascer num menino,
Num país além do mar...
Licença, que eu vou rodar
No carrossel do destino.
Enquanto eu puder viver
Tudo o que o coração sente,
O tempo estará presente
Passando sem resistir.
Na hora que eu for partir
Para as nuvens do divino,
Que a viola seja o sino
Tocando pra me guiar...
Licença,que eu vou rodar
No carrossel do destino.
Romances e epopéias
Me pedindo pra brotar
E eu tangendo devagar
A boiada das idéias.
Sempre em busca das colméias
Onde brota o mel mais fino,
E um só verso, pequenino,
Mas que mereça ficar...
Licença,que eu vou rodar
No carrossel do destino.
________
Sobre viver, sentir, lembrar e esquecer.
sábado, 13 de junho de 2020
Memória poética - Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Que você fez pra mim
Não sei por que razão
Tudo mudou assim
Ficaram as canções
E você não ficou
Esqueceu de tanta coisa
Que um dia me falou
Tanta coisa que somente
Entre nós dois ficou
Eu acho que você
Já nem se lembra mais
Olhar o mundo e ver
O que ainda existe
Pois sem você
Meu mundo é diferente
Minha alegria é triste
Que me amava tanto
Tantas vezes eu
Enxuguei o seu pranto
E agora eu choro só, sem ter você aqui.
quinta-feira, 5 de março de 2020
Solidão
A Solidão e sua porta
Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
E quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha)
Quando pelo desuso da navalha
A barba livremente caminhar
e até deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha.
Arquitetar na sombra a despedida
Deste mundo que te foi contraditório
Lembra-te que afinal te resta a vida
Com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída
Entrar no acaso e amar o transitório.
Carlos Pena Filho
domingo, 1 de dezembro de 2019
Memória Poética - Pablo Neruda
Perdoe o cidadão esperançado
(Eu não me calo)
sábado, 5 de janeiro de 2019
Quase lembrança
apenas lembranças que se apagam
com o escoar do tempo
Sobrou uma imagem
daquelas que às vezem vagam
mas nenhum sentimento
Tão pouco material
não dá um poema
apenas uma constatação.
_________
Hoje quase lembrei de você.
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
Memória Poética: Pablo Neruda
una cosa.
si miro
la luna de cristal, la rama roja
del lento otoño en mi ventana,
si toco
junto al fuego
la impalpable ceniza
o el arrugado cuerpo de la leña,
todo me lleva a ti,
como si todo lo que existe,
aromas, luz, metales,
fueran pequeños barcos que navegan
hacia las islas tuyas que me aguardan.
si poco a poco dejas de quererme
dejaré de quererte poco a poco.
me olvidas
no me busques,
que ya te habré olvidado.
el viento de banderas
que pasa por mi vida
y te decides
a dejarme a la orilla
del corazón en que tengo raíces,
piensa
que en ese día,
a esa hora
levantaré los brazos
y saldrán mis raíces
a buscar otra tierra.
si cada día,
cada hora
sientes que a mí estás destinada
con dulzura implacable.
Si cada día sube
una flor a tus labios a buscarme,
ay amor mío, ay mía,
en mí todo ese fuego se repite,
en mí nada se apaga ni se olvida,
mi amor se nutre de tu amor, amada,
y mientras vivas estará en tus brazos
sin salir de los míos.
Obrigada, Flávia, pelo poema, mas nós não caímos mais nesse tipo de conversa, ¿verdad?
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Memória Poética - Zé Ramalho
Numa luta de gregos e troianos
Por Helena, a mulher de Menelau
Conta a história de um cavalo de pau
Terminava uma guerra de dez anos
Menelau, o maior dos espartanos
Venceu Páris, o grande sedutor
Humilhando a família de Heitor
Em defesa da honra caprichosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
Alexandre figura desumana
Fundador da famosa Alexandria
Conquistava na Grécia e destruía
Quase toda a população Tebana
A beleza atrativa de Roxana
Dominava o maior conquistador
E depois de vencê-la, o vencedor
Entregou-se à pagã mais que formosa
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor
A mulher tem na face dois brilhantes
Condutores fiéis do seu destino
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes
A bravura dos grandes navegantes
Enfrentando a procela em seu furor
Se não fosse a mulher mimosa flor
A história seria mentirosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
Virgulino Ferreira, o Lampião
Bandoleiro das selvas nordestinas
Sem temer a perigo nem ruínas
Foi o rei do cangaço no sertão
Mas um dia sentiu no coração
O feitiço atrativo do amor
A mulata da terra do condor
Dominava uma fera perigosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
(Canção "Mulher nova, bonita e carinhosa", de Zé Ramalho).
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Os fatos históricos não são tão precisos, mas a verdade é que as histórias de amor atravessam gerações, e, até nelas, quem conta um conto, aumenta um ponto.
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
Memória Poética - Petrarca
domingo, 11 de junho de 2017
Memória Poética - Quanto vale o show? - Mano Brown
Ráááá! É isso!
Só eu sei os desertos que cruzei até aqui
Pode pá, tá lançada a sorte
83 era legal, sétima série, eu tinha 13 e pá e tal
Tudo era novo em um tempo brutal
O auge era o Natal, beijava a boca das minas
Nas favelas de cima tinha um som e um clima bom
O kit era o Faroait
O quente era o Patchouli
O pica era o Djavan
O hit era o Billie Jean
Do rock ao black as mais tops
Nos dias de mais sorte ouvia no Soul Pop
Moleque magro e fraco, invisível na esquina
Planejava a chacina na minha mente doente, hey!
Sem pai, nem parente, nem, sozinho entre as feras
Os malandro que era na miséria fizeram mal
Meu primo resolve ter revólver
Em volta outras revoltas, envolve-se fácil
Era guerra com a favela de baixo
Sem livro nem lápis e o Brasil em colapso
"Quanto vale...
Quanto vale...
Quanto vale..."
Quanto vale o show?
Já em 86 subi aos 16 ao time principal
Via em São Paulo, tava mil grau já, favela pra carai, fi
Bar em bar, baile em baile, degrau pós degrau, ia
Quanto baixo eu pude ir, pobre muito mal
O preto vê mil chances de morrer, morô?
Com roupas ou tênis sim, por que não?
Pra muitos uns Artemis, benzina ou optalidon
Tudo pela preza, irmão
Olha pra mim e diga: Vale quanto pesa ou não?
"Quanto vale...
Quanto vale...
Quanto vale..."
Quanto vale o show?
A César o que é de César
Primeira impressão: Os muleque tinha pressa, mano
Que funk louco, que onda é essa, mano?
E assim meus parceirin virou ladrão
É que malandro é malandro memo e várias fita
Era Bezerra o que tava tendo, Malandro Rife
Outros papo, outras gírias mais, outras grifes
Cristian Dior, Samira, Le Coq Sportif
G-Shock eu tive sim, calça com pizza eu fiz
Brasil é osso, a ideia fixa eu tinha
Porque pardin igual eu assim era um monte, uma pá
Fui garimpar, cruzei a ponte pra lá
Ei, zica
Isso significa que era naquele pique, tocando repique de mão, jow
No auge da Chic Show, nos traje
Kurtis Blow era o cara, curtição da massa
Era luxo, só viver pra dançar, fui ver Sandra Sá
Whodini eu curti
A vitrine Pierre Cardin, Gucci, Fiorucci, Yves Saint Laurent,
Indigo Blue
Corpo negro semi-nu encontrado no lixão em São Paulo
A última a abolir a escravidão
Dezembro sangrento, Sp, mundo cão promete
Nuvens e valas, chuvas de balas em 87
Quanto vale?
Quanto vale o show?"
terça-feira, 6 de junho de 2017
Memória poética - Retrato da Vida - Dominguinhos e Djavan
Essa dor que mora em mim, não descansa e nem dorme cedo
O retrato da minha vida é amar em segredo
Não quer saber de mim e eu vivendo da tua vida
Deus no céu e você aqui
A esperança é quem me abriga
Esses campos não tardam em florir
Já se espera uma boa colheita
E tudo parece seguir
Fazendo a vida tão direita
Mas e você o que faz
Que não repara no chão
Por onde tem que passar e pisa em meu coração
O teu beijo em meu destino
Era tudo que eu queria
Ser teu homem, teu menino
O ser amado de todo dia
Para ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=kEvOON-4enU
___________________
Cacos do meu coração por todos os lados.
terça-feira, 2 de maio de 2017
Memória Poética: Belchior
"Na parede da memória
Esta lembrança
É o quadro que dói mais
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais"
Esse poema/música foi o tema do meu vestibular para Direito em 1992. Eu, poesia, memória, Direito e Belchior, ligados há tanto tempo.
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Memória Poética - Mário Quintana
folha súbita
que tomba
abrindo na memória a flor silenciosa
de mil e uma pétalas concêntricas...
Essa lembrança...mas de onde? de quem?
Essa lembrança talvez nem seja nossa,
mas de alguém que, pensando em nós, só possa
mandar um eco do seu pensamento
nessa mensagem pelos céus perdida...
Ai! Tão perdida
que nem se possa saber mais de quem!"
quarta-feira, 9 de março de 2016
Memória Poética - Entre a serpente e a estrela - Zé Ramalho
Onde o amor vier
E ninguém tem o mapa
Da alma da mulher...
Ninguém sai com o coração sem sangrar
Ao tentar revelar
Um ser maravilhoso
Entre a serpente e a estrela...
Um grande amor do passado
Se transforma em aversão
E os dois lado a lado
Corroem o coração...
Não existe saudade mais cortante
Que a de um grande amor ausente
Dura feito um diamante
Corta a ilusão da gente
Toco a vida prá frente
Fingindo não sofrer
Mas o peito dormente
Espera um bem querer
E sei que não será surpresa
Se o futuro me trouxer
O passado de volta
Num semblante de mulher
O passado de volta
Num semblante de mulher"
domingo, 11 de outubro de 2015
Memória Poética - Don't worry child - Swedish House Mafia
In a happy home, I was a king I had a golden throne
Those days are gone, now the memories are on the wall
I hear the sounds from the places where I was born
Up on the hill across the blue lake,
That's where I had my first heart break
I still remember how it all changed
My father said
Don't you worry, don't you worry child
See heaven's got a plan for you
Don't you worry, don't you worry now
Yeah!
Don't you worry, don't you worry now
Yeah!
There was a time, I met a girl of a different kind
We ruled the world,
Thought I'll never lose her out of sight,
We were so young
I think of her now and then
I still hear the songs, reminding me of a friend
Up on the hill across the blue lake,
That's where I had my first heart break
I still remember how it all changed
My father said
Don't you worry, don't you worry child
See heaven's got a plan for you
Don't you worry, don't you worry now
Yeah!"
________________
Contrariando os boatos, eu não tenho 100 anos de idade e estou sempre observando o que a gente jovem faz, com admiração e respeito, embora não consiga entender muito bem o que está acontecendo com o mundo, especialmente no Japão.
Não, eu não vou para discoteques ouvir música eletrônica, mas tive a oportunidade de ouvir essa canção e me identifiquei com a sensação de nostalgia.
Já estou sentindo os efeitos do choque entre gerações e há coisas e comportamentos que eu simplesmente não consigo entender, especialmente a estética colorida e veloz do universo anime, rock kawaii (https://www.youtube.com/watch?v=M8-vje-bq9c&list=PL5szotZvwIhEukbuaWYkFAHzwCFbiNuzc, https://www.youtube.com/watch?v=WIKqgE4BwAY), et coetera.
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Louvor do esquecimento - Bertolt Brecht
Senão como é que
O filho deixaria a mãe que o amamentou?
Que lhe deu a força dos membros e
O retém para os experimentar.
Ou como havia o discípulo de abandonar o mestre
Que lhe deu o saber?
Quando o saber está dado
O discípulo tem de se pôr a caminho.
Na velha casa
Entram os novos moradores.
Se os que a construíram ainda lá estivessem
A casa seria pequena demais.
O fogão aquece. O oleiro que o fez
Já ninguém o conhece.
O lavrador não reconhece a broa de pão.
Como se levantaria, sem o esquecimento
Da noite que apaga os rastos, o homem de manhã?
Como é que o que foi espancado seis vezes
Se ergueria do chão à sétima
Pra lavrar o pedregal, pra voar oo céu perigoso?
A fraqueza da memória dá fortaleza aos homens".
_____________
Se me permite, prezado Brecht, vou discordar. A memória não exige que o mundo pare. A criança vai crescer, o aluno vai caminhar, e talvez superar o mestre, mas a experiência torna o indivíduo único.
Não é por esquecer que o espancado seis vezes se ergue do chão à sétima.É por lembrar que viver é mais do que só infortúnios.
O esquecimento não é o contrário da memória, é o seu limite, contorno e destaque.
Mas apesar de discordar, prezado Brecht, entendo que a bênção do esquecimento é fundamental, especialmente para quem presenciou a tragédia da guerra e do exílio.
sábado, 28 de março de 2015
Memória Poética - Paulo Leminski Filho
"No fundo, no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas".
Comentário: não existe jeito melhor, e nem mais bonito, de explicar a necessidade de realizar uma transição democrática suficiente.