O brasileiro não tem memória.

Neste blog desmascaramos esta mentira.









sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Faixa de Pedestres atravessada pelos Beatles vira patrimônio cultural britânico

Olha que notícia interessante!:


"Faixa de pedestres dos Beatles vira patrimônio britânico
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OLESYA DMITRACOVA
DA REUTERS, EM LONDRES

A mais famosa faixa de pedestres da música popular, diante do estúdio Abbey Road, na zona norte de Londres, foi designada local de importância nacional pelo governo britânico na quarta-feira.

Beatlemaníacos de todo o mundo costumam ir à rua para posar para fotos imitando a foto da capa do álbum "Abbey Road," que mostra Paul, John, George e Ringo atravessando a faixa.

"Esta faixa de travessia de pedestres em Londres não é nenhum castelo ou catedral, mas, graças aos Beatles e a uma sessão fotográfica feita em dez minutos numa manhã de agosto de 1969, tem direito igual a fazer parte de nosso legado nacional" disse em comunicado John Penrose, ministro britânico do Turismo e do Patrimônio Histórico e Cultural.

Divulgação

Faixa de pedestres imortalizada pelos Beatles na capa de "Abbey Road" vira "local de importância nacional"

A partir de agora, a faixa de pedestres só poderá ser modificada com a aprovação das autoridades locais, que teriam que tomar uma decisão com base no significado histórico do local, sua função e sua condição.

O próprio estúdio Abbey Road ganhou status de patrimônio nacional protegido em fevereiro deste ano/".

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/849574-faixa-de-pedestres-dos-beatles-vira-patrimonio-britanico.shtml

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Muito interessante porque deixa evidenciado o motivo pelo qual um bem cultural comum passa um símbolo de identidade. A grande questão é a REPRESENTATIVIDADE, o poder de evocação, que esse bem porta.

Observem que o que começou com uma brincadeira de fãs, que gostavam de reconstituir a cena famosa na faixa de pedestres, acabou por erigir aquela simples faixa de pedestre em um marco e atrativo turístico da cidade.

Resultado: a faixa não pode ser alterada. Difícil vai ser manter o critério de autenticidade porque, provavelmente, esta faixa já não é a mesma que os Beatles passaram. Já deve ter sido pintada e repintada várias vezes.

Até quem não é fã, passando por essa faixa, vai se sentir tentado a relembrar a cena, e essa repetição de comportamento virou quase um costume. Se esse comportamento evoluir, pode até virar costume jurídico, só faltando a sensação de obrigatoriedade.

Quem quiser ver os Beatles segundos antes da foto ser tirada (muito legal!), dá uma olhadinha neste site:
http://www.poracaso.com/os-beatles-poucos-segundos-antes-da-iconica-foto-de-abbey-road.html

sábado, 8 de janeiro de 2011

RECEITA PARA ESQUECER UM GRANDE AMOR

Desculpe, não temos a solução para o seu problema.

Lembrar poeticamente 1

Memória - Carlos Drummond de Andrade Amar o perdido deixa confundido este coração. Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não. As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão Mas as coisas findas muito mais que lindas, essas ficarão.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

CONGRESSO LUSO-BRASILEIRO DE DIREITO DO PATRIMÔNIO CULTURAL

A Universidade Federal de Ouro Preto promoverá em março de 2011 o Congresso Luso-Brasileiro de Direito do Patrimônio Cultural.

Informações no site: http://www.congressolusobrasileiro.ufop.br/

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Memento Mori: o direito à memória dos mortos e a imagem do cadáver

"Memento Mori" é uma frase latina que significa, numa tradução simples, "lembre-se de que vais morrer". A consciência da mortalidade, pretendida nesta frase, tem como objetivo combater a soberba, a arrogância, lembrando como é transitória a condição humana. Também é uma exortação para as pessoas aproveitem o melhor da vida, enquanto durar, sintetizada na expressão "carpe diem". Geralmente, essa condição de mortalidade é representada pela exposição de restos mortais em locais especialmente destinados. Na Europa, um exemplo admirável são as criptas de la Chiesa della S.S Concezione (Capuchinhos), cujas fotos podem ser vistas neste site: http://www.cappucciniviaveneto.it. Do pó viestes, e ao pó retornarás. Esta frase nada tem a ver com maus hábitos, mas é uma advertência da nossa mortalidade e uma exortação para sermos bons. A idéia de realizar a exposição de restos mortais, que são considerados delicados em razão das questões morais, sentimentais, filosóficas, envolve uma pergunta básica: qual é a finalidade dessa exposição? Não é só uma questão de gosto (mau ou bom), nem de arte ou outra questão qualquer, mas de manter a dignidade e a boa memória dos falecidos. Um exemplo interessante de prática memorial eram as fotos tiradas dos falecidos para serem guardadas como lembranças pelos familiares, no século XIX. Vale a pena conferir um vídeo sobre essas fotografias no link abaixo: http://www.youtube.com/watch?v=sWukFwE9QCc Observe que nessas fotos a finalidade não é fazer uma exposição desrespeitosa do falecido, embora algumas delas pareçam bizarras as olhos contemporâneos. Às vezes a morte é tão abrupta que as pessoas precisavam criar um cenário de normalidade para registrar a pessoa como se estivera em vida, pois naquela época tirar fotos era muito caro. Ou apenas guardar a memória de um momento feliz, ainda que falso. Essa situação é muito diferente das imagens veiculadas como ilustração de reportagens sobre crimes, por exemplo, que me parecem ter a finalidade de causar trauma visual ou fazer o marketing da desgraça. Nessas situações posso vislumbrar uma violação ao direito à memória dos mortos, porque não foi mantida a dignidade da sua representação.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Bruxaria é considerada profissão legal na Romênia

"A Romênia alterou suas leis trabalhistas para reconhecer oficialmente a bruxaria como profissão. A determinação, que passou a valer hoje, faz parte de um pacote de medidas para combater a evasão fiscal num país que enfrenta forte recessão. Além das bruxas, astrólogos, embalsamadores, camareiros e instrutores de direção são agora considerados profissionais, o que deve facilitar os trâmites para que essas pessoas paguem imposto de renda. A medida, debatida durante meses, foi alvo de protesto das bruxas e da zombaria da mídia. Hoje, uma bruxa chamada Bratara disse ao Realitate.net, o site de uma das principais emissoras de televisão do país, que planeja fazer um feitiço com pimenta-do-reino e levedura para criar discórdia no governo. As informações são da Associated Press". Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,bruxaria-e-considerada-profissao-legal-na-romenia,660943,0.htm. Essa eu TENHO que comentar! O reconhecimento da bruxaria como profissão, do ponto de vista jurídico, é interessante porque: a) Há alguns séculos, os senhores e senhoras bem se lembram, a Bruxaria era ilícita na Europa e em suas colônias, apenada às vezes com a morte. Depois, superada a fase da Inquisição, a bruxaria se tornou irrelevante do ponto de vista jurídico (nem proibida, nem obrigatória), enquadrando-se no permissivo geral de que "o que não está proibido está permitido", ou relevante se tomada como um direito vinculado à liberdade de crença. Falo em liberdade de crença porque algumas práticas denominadas "bruxaria" vinculam-se às religiões anímicas, denominadas genericamente pelos cristãos como pagãs, e na verdade algumas dessas práticas não têm um fundo religioso, por exemplo, a confecção de medicamentos fitoterápicos. b) O reconhecimento da bruxaria como profissão, independentemente da intenção do governo romeno de taxar a prática, significa que podem ser criados critérios de controle profissional, por exemplo, a exigência de certificações, uma deontologia profissional (olha aí, Denise, essa para você pensar), o que pode modificar profundamente a maneira como esse ofício é exercido e transmitido. c) Inclusive esse tipo de ofício tradicional, sim porque a bruxaria antes de ser profissão reconhecida é patrimônio imaterial, principalmente na Romênia que tem uma longa tradição nessa área, deveria contar com formas de preservação para evitar a sua mudança abrupta, visto que sem mecanismos eficientes em breve a maneira tradicional de transmiti-la e praticá-la pode se perder. Bom, de todo jeito vou ficar muito atenta aos desdobramentos dessa nova forma de conceber a bruxaria, especialmente em relação ao feitiço que a bruxa Bratara fará com pimenta-do-reino e levedura, devido às sérias implicações jurídicas que tal ato significa: pode configurar crime de ameaça (considerando o Direito Brasileiro), pode funcionar (e, daí, como se poderia processar alguém, sem recorrer a fogueiras, para desconstituir esse tipo ato? condenação em ação civil pública a desfazer o feitiço? ou para fazer um feitiço positivo, com o intuito de criar concórdia no governo?). Se funcionar, e considerando que pimenta-do-reino e levedura são relativamente fáceis de conseguir, imagina se os brasileiros inconformados com o imposto de renda resolverem aderir?

domingo, 2 de janeiro de 2011

Direito à memória dos mortos: o caso de Billy, The Kid

A memória coletiva às vezes é engraçada...Depois de 129 anos, o facínora Billy "The Kid" ainda continua nas manchetes dos jornais. Olha só a notícia: "Governador do Novo México recusou ontem perdoar William Bonney por falta de provas" O perdão prometido a um dos mais famosos bandidos do Novo México, Billy the Kid, vai continuar a engrossar as muitas lendas do Faroeste. O governador do estado norte-americano, Bill Richardson, recusou ontem conceder um perdão póstumo ao fora-da-lei e assim vingar uma suposta traição do seu antecessor Lew Wallace. Há 130 anos, o governador Wallace teria convencido William Bonney a depor contra três homens em troca de imunidade, mas o rapaz acabou preso, acusado de matar 21 pessoas - uma por cada ano de vida. Acabaria por ser morto pelo xerife Pat Garrett, depois de fugir da prisão. Bill Richardson anunciou o veredicto ontem de manhã, no programa "Good Morning America". A revisão histórica da relação do homicida como as autoridades da época entusiasmou os americanos e desencadeou movimentos de protesto. Bill Richardson iniciou a investigação depois de receber uma petição movida por um advogado de Albuquerque, Randi McGin, em defesa do perdão. A questão era de honra: Billy the Kid tinha cumprido a sua parte do acordo, ao contrário do governador. Além de encomendar uma análise histórica, Bill Richardson, que fez da causa uma das última bandeiras do seu mandato, criou um site na internet para receber a opinião dos eleitores. Segundo a Associated Press, em 809 emails recebidos até ao passado domingo, 430 mensagens mostravam-se a favor da indulgência e 379 contra. Ainda assim, o governador não se terá deixado levar pelas massas e decidiu não conceder o perdão, "devido à falta de certezas e à ambiguidade histórica" em torno da razão que terá levado o governador Lew Wallace a abandonar a intenção de perdoar William Bonney. As únicas provas da alegada promessa são uma entrevista dada pelo governador Lew Wallace a 28 de Abril de 1881, mas os descendentes do xerife que matou William Bonney e do governador acusado de traição têm outra leitura da história: "A verdade é que Wallace não tinha qualquer intenção de perdoar Billy", sublinhou J. P. Garrett, neto de Pat Garrett. A promessa teria sido então um engodo para convencer o bandido a denunciar os companheiros, aparentemente com sucesso. A dupla contra o perdão alegou também que nas quatro cartas escritas por Billy the Kid enquanto aguardava o julgamento pelo homicídio do xerife William Brady nunca foi usada a palavra "perdão", embora o bandido tentasse a todo o custo ser ilibado. Como se comentava ontem no Twitter, com perdão ou sem perdão, a história continua. M. F. R. Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/96284-historia-ja-perdoou-billy-the-kid-mas-o-perdao-oficial-ficou-na-gaveta. Algumas considerações sobre a notícia, que é um ótimo motivo para continuar pensando na memória dos mortos: 1) Ninguém discute que Billy "The Kid" era um celerado. E pensar sobre ele tem a vantagem de poder usar palavras como "facínora" e "celerado", em homenagem à época em que viveu. Portanto, a sua memória individual, e a memória coletiva sobre ele, apontam que devemos lembrá-lo como um bandido. 2) A grande polêmica no caso (?) é se o governador da época prometera ou não perdão a Billy, em troca de informações. E mesmo com tais informações, o perdão não foi dado. Parece-me que queriam que o governador cumprisse com a sua palavra, mesmo depois de morto... 3) Do meu ponto de vista, não se trata de perdão (nem na forma de graça, de indulto ou anistia) e nem de reabilitação, como discutimos em post anterior. Parece-me que havia uma promessa de delação premiada, na qual Billy "The Kid" trocaria sua imunidade por informações (bargain system), o que evidentemente se tornou irrelevante com a sua morte. O caso, portanto, não é de reabilitação de sua memória, que inclusive é celebrada em filmes e livros exatamente no sentido de fortalecer o seu aspecto criminoso e marginal, mas de reparar uma, digamos, "injustiça histórica" porque o governo não cumpriu a sua parte no suposto acordo. E na verdade o governador Lew Wallace não necessitaria cumpri-la porque o beneficiado foi morto em seguida. 4)O "perdão" foi negado pelo governador do Novo México, e apenas constitui-se em mais um aspecto a ser lembrado qundo o assunto for Billy The Kid. De toda maneira, é sempre um ótimo exercício raciocinar sobre esse tipo de situação. Valeu pela notícia Flávia!