O brasileiro não tem memória.

Neste blog desmascaramos esta mentira.









sexta-feira, 15 de maio de 2026

A beleza de Anitta

Que beleza de álbum é o Equilibrium (2026) de Anitta.

Passei a semana escutando as músicas e fiquei encantada com a linguagem pop vinculada à religiosidade ancestral do Candomblé.

Anitta conseguiu trazer referências e informações sobre a religião dela de uma forma tão leve, para mim respeitosa e bela, que sem dúvida significa um novo patamar na sua obra e na sua vida.

Além de serem músicas muito legais, é louvor que se pode tocar em qualquer lugar, até mesmo em boates, o que é incrível. Ir para a balada sem perder a noção do sagrado é uma forma de redenção e de proteção espiritual.

Gostei muito de todas as músicas, o que é muito raro em um disco. Ajuda porque agora não tem mais lado A e lado B, sendo que esse último sempre foi o meu preferido.  Sempre gostei das músicas que não eram escolhidas para ser sucesso e por isso vinham no lado A, porque o lado B sempre me pareceu mais arredio e inesperado, com as músicas cuja a beleza passou abaixo do radar das gravadoras.

Do ponto de vista do patrimônio cultural e da memória coletiva o disco Equilibrium representa uma promoção dos bens culturais de matriz afro-brasileira, contribuindo de maneira incrível e muito eficiente para o acesso às fontes da cultura nacional, realizando o disposto no artigo 215 da Constituição Federal, que transcrevo:

Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.

§ 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.     

 2º A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes segmentos étnicos nacionais.

 3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que conduzem à:      

I defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro;       

II produção, promoção e difusão de bens culturais;        

III formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões;        

IV democratização do acesso aos bens de cultura;         

V valorização da diversidade étnica e regional

Esse artigo, combinado com o artigo 225 da Magna Carta Brasileira, impõe a todos o dever de colaborar com o Estado para a preservação e promoção do patrimônio cultural, obrigação cívica que Anitta cumpriu lindamente.

O acesso às fontes da cultura nacional exige que seja ofertada à população informação de qualidade sobre os bens culturais.  Tenha absoluta certeza de que os fãs de Anitta e as pessoas que ouvem as músicas e vêem os vídeos (que são um capitulo à parte) vão ficar interessadas e motivadas a pesquisar mais sobre o Candomblé e os orixás, buscando acessar as fontes da cultura nacional.

E também vão buscar entender as referências e remissões que são feitas a outras músicas, por exemplo ao Canto de Ossanha, de Baden Powell e Vinicius de Moraes.

A religação proposta por Anitta é com a fé e com o patrimônio de matriz afrobrasileira, mas também com uma tradição musical dos anos 60/70, com especial menção ao disco Os Afro-sambas (1966), essa beleza de obra de arte.

A função da arte é estimular e fazer pensar, e com certeza Annita alcançou esse objetivo com a sua expressão artística.

Para ouvir as músicas do disco Equilibrium, basta acessar o canal oficial de Anitta: https://www.youtube.com/channel/UCqjjyPUghDSSKFBABM_CXMw

Para ouvir o disco Os Afro-sambas: https://www.youtube.com/watch?v=E7k5laXSu7I&list=RDE7k5laXSu7I&start_radio=1

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