O brasileiro não tem memória.

Neste blog desmascaramos esta mentira.









quinta-feira, 28 de maio de 2026

Alfinim

Alfinim, também conhecido como Alfenim, aqui onde habito é um doce de coco, com esse formato quadrado.

Em outros lugares apresenta-se mais cheio de frescuras e delicadezas, como formatos de flores e animais, fazendo jus ao nome porque a palavra alfinim também é um xingamento antigo.

Um xingamento da época em que ser delicado era um defeito.

Olha aí a perdição:

O danado - Foto: Fabiana Dantas

Esse é o doce da minha infância cheia de doces porque no meu lugar do mundo a indústria do açúcar sempre foi a base da economia.  A minha região é famosa pelos doces e por tudo de bom e de ruim que eles proporcionam.

Tentando educar as novas gerações fiz uma sessão de degustação de alfinim com Ben e Ramiro, que é a desculpa perfeita para que eu e minha mãe pudéssemos exagerar sem dar satisfação à consciência pesada.

Eles detestaram.

Aqui há um problema intergeracional claro na transmissão desse patrimônio cultural porque, se  na minha época havia poucas opções e era sempre um grande evento comer alfinim, hoje há uma grande variedade de guloseimas muito coloridas e de sabores inusitados, o que afastou o interesse por esse doce tão leve e mimoso.

Por favor, alfinim não é bala de coco. É mais que isso: é a rota da conquista da Península Ibérica pelos árabes (como o nome revela), seu caminho pelo Atlântico até chegar ao Brasil, feito por mãos femininas e que ajudou a sustentar e alforriar muitas mulheres.

Ouviram, Ben e Miro? Não é um doce branco e sem graça, é doce história.  É a infância de vovó Iracema e de Tia Fabiana, evocada em torrões de memórias felizes.

Esse breve vídeo fala do alfinim como a origem das balas de coco, que eu também adoro:

https://globoplay.globo.com/v/13912650/




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