O brasileiro não tem memória.

Neste blog desmascaramos esta mentira.









quarta-feira, 31 de julho de 2013

Memorial para os advogados que lutaram contra a ditadura

Notícia importante: http://blogs.estadao.com.br/roldao-arruda/advogados-que-lutaram-contra-ditadura-ganham-memorial/

Do ponto de vista simbólico é importante reconhecer como virtude a atuação desses advogados. É difícil defender os direitos dos "indesejáveis" criados pelo sistema.

Essa é uma das mais nobres funções que um advogado pode exercer:  a eficácia de direitos.  E se isso acontecer em um período histórico de dificuldades, como foi o da ditadura militar, mais importante ainda.

Merecida e justa homenagem.


terça-feira, 30 de julho de 2013

Recreio

Hora e lugar. Tempo maravilhoso de intervalo entre as aulas na minha infância, e onde desenvolvíamos as nossas incipientes relações sociais.

O lugar do recreio parecia uma praça de guerra, onde eram travados conhecimentos, surgiam amizades e inimizades, e as desigualdades sociais transpareciam nos comportamentos.  Gosto muito de observar as pessoas recentes manejando os instrumentos de adaptação social, principalmente as normas jurídicas: não há como entender o direito de propriedade sem uma visita ao parquinho.

O meu recreio começava, todo dia, com um picolé de morango com leite.  O meu colégio era muito grande, e o recreio era curto, então não dava para enfrentar a fila da cantina para comprar lanche.  Nós só tínhamos duas alternativas: ou levar a refeição de casa (quanto pão com manteiga e açúcar a pessoa pode comer durante a vida?), ou encontrar meios alternativos, no caso, o picolé de Zé.

Passei anos tomando picolé, até que descobri que não gosto de sorvete.  Sim, não gosto de sorvete e não sou uma pessoa pior por isso.

Eu me acostumei a passar o meu recreio com os meus irmãos.  Apesar da diferença de idade, sempre fomos amigos porque tínhamos os mesmos interesses. E quando eu não queria ouvir os barulhos da felicidade do recreio, ia à biblioteca da escola.  Mas, repito, o intervalo era muito curto e quase não dava para fazer nada.

Refletindo ontem sobre o assunto, cheguei à conclusão de que na verdade o recreio é cruel.  Um exercício de liberdade, mas dentro das entranhas da instituição (Escola) que delimita o tempo e lugar de sua alegria.  Que diz o que temos que aprender e como.  Acho que Hobbes estava pensando nisso quando escreveu o seu Leviathan. Bem...talvez não.

O recreio também era a oportunidade de esperar que o Sapotizeiro, árvore frutífera e generosa, se dignasse  derrubar seus frutos.  Aqueles que não possuíam o dom da paciência tentavam derrubar as frutas a pedradas.  O sapoti é tão marcante na nossa infância que, na semana passada, eu e meu irmão o comemos e imediatamente voltamos aos tempos do colégio.

Agora, respondendo à sua pergunta (de um aluno):  não, os alunos da pós-graduação não têm direito a recreio.

sábado, 27 de julho de 2013

Memória brasileira: o petróleo é nosso!

Nessa semana, durante uma aula de Direito Administrativo, comecei a falar sobre a Petrobrás e da atuação empresarial do Estado Brasileiro.  Fiz uma viagem até os anos de 1940, e lembrei a grande polêmica sobre o início da exploração do petróleo no Brasil, que culminou na campanha "O petróleo é nosso".

Naqueles tempos havia uma grande dúvida quanto a existir petróleo no território brasileiro, e não havia procedimentos para regular essa atividade econômica.  A quantidade de entraves burocráticos era tanta, e tanto era o medo de que esses recursos naturais estratégicos caíssem em mãos estrangeiras, que o escritor Monteiro Lobato escreveu ao Presidente Getúlio Vargas sobre o assunto (cf. http://www.projetomemoria.art.br/MonteiroLobato/monteirolobato/cartaget.html).

Monteiro Lobato denunciou o "Escândalo do Petróleo" e acabou preso por isso.  Mas a minha principal lembrança sobre essa confusão toda era um livrinho infantil de que gostava muito, chamado o "Poço do Visconde".  Em linguagem simples (e, presumo, também técnica), Monteiro Lobato tentou explicar porque havia petróleo no Brasil e como poderia ser explorado, para que até as crianças entendessem seu ponto de vista.

Eu, filha de geólogo, adorava esse livrinho porque podia tirar minhas dúvidas com meu papi.  Além disso, tem uma palavra que eu aprendi nessas leituras e nunca esqueci: sinclinal.

O resultado dessa grande polêmica nacional foi a criação de uma empresa para exploração, que durante décadas exerceu a atividade sob a forma de monopólio, tendo a União Federal como sócia majoritária.
Para ver imagens dessa época, basta ir ao Google imagens e informar o nome da campanha.




sexta-feira, 26 de julho de 2013

Direito à memória dos mortos: o misterioso visitante da tumba de Edgar Allan Poe

Ontem conversava com a minha irmã sobre Edgar Allan Poe, um autor de nossa preferência há muitos anos.  Discutíamos sobre suas obras e biografia, e lembramos do dia em que fomos visitar a sua casa e tumba na cidade de Baltimore, no Estado de Maryland.

Ela, então, contou uma história que parecia saída dos livros dele: todo ano, há muito tempo, um misterioso visitante visita o túmulo no dia do aniversário de sua morte, deixando três rosas e uma garrafa de conhaque inacabada.

A curiosidade das pessoas, que teimam em descobrir o mistério, acabou se transformando em uma tocaia anual (http://lifestyle.inquirer.net/85985/poe-visitor-comes-nevermore-yet-mystery-lingers).  Dezenas de pessoas vão à noite ao cemitério e aguardam, em suspense, se o visitante aparecerá ou não, e tentam descobrir quem é o fantasmagórico personagem.

Não é interessante?  Parece um conto de Poe, com suspense e um pé no além-túmulo.

O fato é que há uns quatro anos o visitante deixou de aparecer.  Alguns dizem que é pelo medo de ser reconhecido e importunado, outros dizem que ele (ou ela) morreu, mas isso não nos impede de ficar esperando o próximo aniversário de morte do escritor para prestar a nossa homenagem e, quem sabe, rever o visitante misterioso.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Resgatando conhecimentos tradicionais (2): Medir o tempo

No post http://direitoamemoria.blogspot.com.br/2013/02/resgatando-conhecimentos-tradicionais.html iniciamos uma reflexão sobre a perda de conhecimentos antigos, que acompanham a Humanidade desde tempos imemoriais, mas que foram esquecidos pelo desuso.

Já falamos sobre fazer fogo sem utilização de utensílios modernos (ainda não consegui), e meu irmão construiu um arco e também suas flechas. Agora, acredito que precisamos reaprender a medir o tempo como faziam os antigos, por isso decidi construir uma clepsidra (relógio de água), um relógio de sol  e vou estudar sobre ampulhetas.

Sei que em alguns parques e praças públicas possuem relógios de sol e água, então também resolvi que vou colecionar fotografias desses lugares.

Apenas para incluir um detalhe pessoal, e considerando o meu direito à livre manifestação de pensamento e expressão, gostaria de consignar que não uso relógios de pulso por motivos ideológicos.  Acredito que são grilhões disfarçados, que aprisionam o homem a uma concepção de tempo padronizada, que não respeita a diversidade dos tempos sociais.

Além disso, geralmente tenho alergias.

E não, o relógio de pulso não foi inventado por Santos Dumont.

domingo, 14 de julho de 2013

População agindo na defesa de bens religiosos em Minas Gerais

A apropriação pela população é a condição sine qua non para que um bem cultural seja considerado "patrimônio".  E uma das maneiras mais visíveis dessa apropriação é o desejo de defender e ter junto a si o bem cultural.

Um exemplo interessante ocorre em Minas Gerais: http://defender.org.br/2013/07/13/fe-move-o-resgate-de-joias-sacras-em-minas/. O número de denúncias vem crescendo nos últimos tempos e, infelizmente, também o número de roubos.

Nesse ponto, duas observações devem ser feitas:  a primeira é que a política de preservação não abrange todos os bens, mas só aqueles valorados e tutelados pelo Estado.  Então, existe todo um universo de bens culturais que não chegam a integrar as políticas públicas de proteção, preservação e promoção.

Em segundo lugar,  mesmo em relação aos bens que são efetivamente tutelados, o Estado não consegue (e jamais conseguirá) evitar a ação de criminosos.  Quando pensamos especificamente no crime de roubo, não podemos esquecer que os bens culturais móveis  são extremamente valiosos e possuem um mercado incessante e ávido.

Além disso, e infelizmente, o roubo de bens culturais é um crime cercado de glamour.  Os ladrões de obras de arte são personagens idealizados por filmes e peças teatrais, sempre muito elegantes e sofisticados, cheios de aparatos tecnológicos, e são contratados por pessoas ricas que frequentemente roubam bens para o seu próprio deleite.  Às vezes as peças ficam escondidas durante anos, e só aparecem eventualmente na época de um inventário.

Tudo isso dificulta o combate ao crime, sem contar com o fato de que o Brasil está realizando o inventário de conhecimento dos bens culturais, mas ainda não foi concluído.  O governo brasileiro tem uma ação permanente de identificação e resgate de bens ilicitamente transferidos, veja a campanha institucional:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=2jMu-f57kho

Para acessar o banco de bens procurados: http://portal.iphan.gov.br/consultaPublicaBCP/index.jsf


sábado, 13 de julho de 2013

Krak des Chevaliers bombardeado em 12/07/2013

Dia triste.

Para ver o monumento sendo bombardeado: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=RHPtHwNqaVE

Fortaleza templária, cuja construção remonta ao século XII, e foi um importante marco estratégico na época das Cruzadas.

Mais uma vítima inocente da guerra na Síria.  O princípio da inocência dos monumentos é consagrado na Convenção da Haia de 1954.