O brasileiro não tem memória.

Neste blog desmascaramos esta mentira.









domingo, 23 de setembro de 2018

Direito à memória dos mortos: veracidade e integridade do passado de José Jobim

O Embaixador José Jobim foi uma testemunha importante da construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu e, segundo afirma-se, iria denunciar o seu superfaturamento, sendo assassinado por isso:
https://epoca.globo.com/diplomata-foi-morto-pela-ditadura-antes-de-denunciar-corrupcao-no-regime-confirma-nova-certidao-23089585

Em 2018, o Estado Brasileiro reconhece o homicídio, retificando o atestado de óbito de suicídio para homicídio.  Dificilmente saberemos quem o matou e mandou matar, e provavelmente nunca saberemos se a obra de Itaipu foi superfaturada, quem roubou e mandou roubar.

O Erário Público, mais uma vez, também será uma vítima indefesa.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Lugar inesquecível (2): o quintal da sogra

"Casa da sogra" é uma expressão utilizada para indicar um lugar desordenado, onde reina a confusão.  Deve ser da mesma circunscrição da "Casa da Mãe Joana" que, inclusive, deve ser sogra de alguém.

Evidentemente, quem cunhou essa expressão não conheceu a minha, cuja casa é tão bonita e arrumadinha.  Tudo no devido lugar, cheirando a limpeza e sol, e enfeitada com muitas, muitas flores, de todos os tipos e cores, cultivadas com disciplina, amor e muito trabalho diário.

Tudo isso para dizer que ela, como o meu irmão (http://direitoamemoria.blogspot.com/2011/10/lugar-inesquecivel-o-quintal-do-meu.html), também possui um quintal mágico, com árvores frutíferas, plantas medicinais, e as tais lindas flores.

Olha só:
Casa da Sogra.

Pequena visão entre as folhas e  flores.  

Uma entre tantas lindas flores de Karen.


Espaço cheio de vida, e toda vida vale: o passarinho, o gato, a menina, o alecrim, a sogra, os vizinhos, os espíritos, todos convivendo, cada um com seu adubo especial. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Lidar com o passado (1): Alemanha e Nazismo


A Embaixada da Alemanha no Brasil publicou um vídeo para mostrar como é o ensino de História lá, e que não temem abordar assuntos difíceis, como o nazismo: https://twitter.com/Alemanha_BR/status/1037303279724781568.

É breve mas vale a pena para explicar que aprender História não ocorre só na escola, mas através da própria leitura da cidade e dos seus monumentos, através das memórias familiares, e também que História não é só o passado, mas o presente e, no caso do Nazismo, a necessidade de combater os ideais remanescentes diariamente.

(Aqui faço um breve parêntese para dizer que o vídeo não explica, mas para nós brasileiros seria uma grande lição a ser aprendida, que lidar com o passado é uma política pública.  A forma como se constrói a narrativa histórica, que tipo de valores essa narrativa vai legar aos futuros cidadãos, e a sua eficácia, serão determinantes para a compreensão dos fatos históricos.)

É por isso que negar o Holocausto é crime, e é por isso que lá, como aqui, os símbolos nazistas são proibidos.

Lá na Alemanha, a herança desse passado é encarada de frente, com responsabilidade e constitui uma política pública, que tem até nome próprio: Vergangenheitsbewältigung.  A idéia é garantir que esse tipo de ideologia racista e destrutiva não volte a matar pessoas.

A idéia saudável é fomentar a discussão e a reflexão, mas não foi isso que aconteceu no Brasil.  Alguns brasileiros acham que podem, sem nenhum embasamento, discordar da forma como a Alemanha representa e apresenta o seu passado: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/13/politica/1536853605_958656.html?%3Fid_externo_rsoc=FB_BR_CM.

A polarização "direita-esquerda-volver" apareceu de uma forma bem estranha nessa polêmica porque a suposta extrema direita brasileira quer afirmar que o Nazismo é uma ideologia de esquerda (?) e que Hitler possui características que o aproximam de ditadores de esquerda. Como se isso fosse o suficiente e o necessário para legitimar a sua própria ideologia.

Enfim, e independentemente de entrar no mérito dessa discussão, novamente pecamos pelo princípio e pela forma: de não saber discutir idéias, e reduzir as discussões à polarização infrutífera que por vezes nega a realidade e tenta desfigurar arbitrariamente o passado.

E nega a dor das pessoas.

O vídeo deveria suscitar a discussão de como é importante lidar com o passado, e não fingir que ele não aconteceu, ou que pode "desacontecer" ou ser "desacontecido". A reflexão poderia ser: como podemos aprender a lidar com os nossos traumas históricos, a partir do exemplo alemão?

Com esse vídeo, oficialmente agora é 8 x 1 para a Alemanha.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Bolinho de chuva

Quando era pequena lia os livros de Monteiro Lobato, especialmente a coleção do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Já falei do autor e dos seus personagens em outras postagens (http://direitoamemoria.blogspot.com/2011/01/o-dia-do-saci.html, http://direitoamemoria.blogspot.com/2013/07/memoria-brasileira-o-petroleo-e-nosso.html), a quem atribuo minha preocupação com o Saci e agradeço por haver aprendido a palavra sinclinal.

Mas três coisas nunca me saíram da cabeça: o vestido do casamento de Narizinho, feito por Dona Aranha, que tinha a cor do mar e os peixinhos nadavam nele (!), a canastra de Emília (http://direitoamemoria.blogspot.com/2013/03/arco-da-velha.html), e o bolinho de chuva de Tia Nastácia.

Sem dúvida, esse último passou a ser o objeto do meu desejo simplesmente porque é comestível.

Infelizmente, esse doce não é da minha região e eu nunca o vi, até hoje. Demorou, mas a minha vez chegou.  O meu marido sabe fazer bolinhos de chuva.

Vou dizer de novo, mas de outro jeito: o meu marido sabe fazer os bolinhos de chuva de Tia Nastácia.

Na semana passada, do nada e depois de tantos anos casados, ele disse que estava com vontade de fazer bolinhos de chuva. E eu fiquei parada, sem saber o que dizer, boquiaberta.

E hoje ele fez:


Bolinhos de chuva segundos antes da devastação


E eu comi, muitos, muitos, bolinhos de chuva. Finalmente.

sábado, 8 de setembro de 2018