O brasileiro não tem memória.

Neste blog desmascaramos esta mentira.









terça-feira, 19 de novembro de 2019

Formas de lembrar (20): relembrar

Estava colecionando formas de lembrar, e acabei lembrando de lembrar:

1) Um anúncio no jornal: http://direitoamemoria.blogspot.com/2017/04/formas-de-lembrar-1-o-anuncio-no-jornal.html

2) Um sinal nos céus: https://direitoamemoria.blogspot.com/2017/04/formas-de-lembrar-2-um-sinal-nos-ceus.html?m=1

3) Um doce que vale uma lembrança: http://direitoamemoria.blogspot.com.br/2017/04/formas-de-lembrar-3-brigadeiro.html

4) Uma canção: http://direitoamemoria.blogspot.com/2017/04/formas-de-lembrar-4-uma-cancao.html

5) Nomear em homenagem: http://direitoamemoria.blogspot.com/2017/04/formas-de-lembrar-5-nomear-em-homenagem.html

6) Dançar em memória: http://direitoamemoria.blogspot.com/2017/05/formas-de-lembrar-6-dancar-em-memoria.html

7) Andar em memória: http://direitoamemoria.blogspot.com/2017/09/formas-de-lembrar-7-andar-em-memoria.html

8) Malhar em memória: http://direitoamemoria.blogspot.com/2017/09/formas-de-lembrar-8-malhar-em-memoria.html

9) Fazer listas: http://direitoamemoria.blogspot.com/2017/11/formas-de-lembrar-9-fazer-listas.html

10) Gravar e repetir: http://direitoamemoria.blogspot.com/2018/02/formas-de-lembrar-10-gravar-e-repetir.html?m=0

11) Uma placa: http://direitoamemoria.blogspot.com/2018/02/formas-de-lembrar-11-uma-placa.html

12) Cédulas e moedas: https://direitoamemoria.blogspot.com/2018/04/formas-de-lembrar-11-cedulas-e-moedas.html?m=0

13) Ex-votos: https://direitoamemoria.blogspot.com/2018/11/formas-de-lembrar-13-ex-votos.html?m=0

14) Lembrar caminhando: http://direitoamemoria.blogspot.com/2018/11/formas-de-lembrar-14-caminhando-e.html

15) Um brinde: http://direitoamemoria.blogspot.com/2018/12/formas-de-lembrar-15-um-brinde.html

16) Uma bicicleta: https://direitoamemoria.blogspot.com/2019/01/formas-de-lembrar-16-uma-bicicleta.html

17) Um chocolate: https://direitoamemoria.blogspot.com/2019/02/formas-de-lembrar-17-um-chocolate.html

18) Uma estrela: https://direitoamemoria.blogspot.com/2019/11/formas-de-lembrar-uma-estrela.html

19) Uma noite: http://direitoamemoria.blogspot.com/2019/11/formas-de-lembrar-18-uma-noite.html

domingo, 17 de novembro de 2019

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Bacurau 2: um pássaro me contou (contém spoilers)

Pássaro, porque o Bacurau não é um passarinho.  Não é bonzinho e bonitinho o suficiente para receber o diminutivo carinhoso, é bicho brabo, que merece respeito.

Enquanto não revejo o filme, exercito a memória lembrando de algumas cenas e tentando localizar referências:

1) A recepção de Domingas com cozido, suco de caju e trilha sonora americana.  É essa nossa hospitalidade estranha, de poucas palavras e bem-querer traduzido em comida, típica da região.

O suco de caju oferecido lembra a cajuína, simbolo de hospitalidade nordestina e patrimônio imaterial do Brasil (http://direitoamemoria.blogspot.com/2014/07/cajuina-patrimonio-imaterial-do-brasil.html).

O significado dessa cena, que pode parecer muito deslocada naquele lugar e naquela hora, faz sentido como medida desesperada.

2) A segunda observação é sobre Lunga. Existe um personagem folclórico no Nordeste - Seu Lunga - que é lembrado pela sua forma peculiar de encarar a vida. No nosso imaginário, ficou como um modelo de mau humor (https://tribunadoceara.com.br/diversao/humor/relembre-11-das-respostas-mais-brutas-do-seu-lunga/), mas não acredito que fosse esse o caso.

Talvez o Lunga de Bacurau seja uma homenagem merecida, porque também não é reconhecido como bem-humorado.

Ou, quem sabe, é uma referência a calunga, com as suas implicações espirituais. Acho que pode ser os dois.

3) E falando em Lunga, a estética do personagem, com o seu gosto explícito por anéis, remete aos cangaceiros mas a referência não é tão explícita para mim, pois faltou o couro, a chita nas roupas.  É algo que pretendo observar melhor da próxima vez.

4) A estranha posição de tiro da gente de Bacurau remete aos bacamarteiros, como se pode ver nesse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=-DdKTc1XTms.

4) Bacurau é como a gente chama o último ônibus da nossa cidade.  Depois do Bacurau, não há nada.  Talvez essa a noção de apocalipse para quem é daqui.

Lembro que quando a gente perdia o bacurau a solução era dormir na rua ou se arriscar a ir a pé, mas isso foi a Era Pré-uber.

5) identidade e consequência.  O Museu como reflexo de valores comunitários.

Esse post continua, depois que eu assistir de novo.




sábado, 9 de novembro de 2019

Formas de lembrar (19): uma noite

Uma noite para lembrar, comemorar lembrando e se preparar para o feriado nacional da Independência do Uruguay: La noche de la nostalgia, instituída pela lei  nº 17.825/2004 ( https://legislativo.parlamento.gub.uy/temporales/leytemp1455469.htm).

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Formas de lembrar (18): uma estrela


Uma estrela para lembrar das vítimas do nazismo: https://www.youtube.com/watch?time_continue=83&v=24HbCjydBhE.

Esse é o Corinthians sendo mais que um clube de futebol.

Obrigada por lembrar.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

O problema do Ipê Amarelo

Esse post está sendo escrito com uma profunda irritação, o que é o contrário do sentimento que os símbolos nacionais devem inspirar.A bandeira, o hino, o brasão de armas devem inspirar afeto e disposição para sacrificar-se pela Pátria.

Pois bem, estou estudando símbolos nacionais (porque são uma parte importante da memória coletiva e do direito à memória), tomando o Brasil como ponto de partida da reflexão. Quais são os nossos símbolos nacionais?

Os símbolos nacionais do Brasil estão previstos na Constituição Federal e em leis ordinárias federais:

Art. 13 da CF/88. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil.
§ 1º São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais.
§ 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter símbolos próprios.

A Lei nº 6.607/78 estabelece o Pau-Brasil como "Árvore Nacional", sem detalhar o significado jurídico do título, salvo o dever do Estado de conservá-la e distribuir mudas com finalidade cívica, conforme os artigos 1º e 2º abaixo transcritos:

Art . 1º - É declarada Árvore Nacional a leguminosa denominada Pau-Brasil (Caesalpinia Echinata, Lam), cuja festa será comemorada, anualmente, quando o Ministério da Educação e Cultura promoverá campanha elucidativa sobre a relevância daquela espécie vegetal na História do Brasil.
Art . 2º - O Ministério da Agricultura promoverá, através de seu órgão especializado, a implantação, em todo o território nacional, de viveiros de mudas de Pau-Brasil, visando à sua conservação e distribuição para finalidades cívica

E a Lei nº 11.675/2008 estabelece o cupuaçu como "fruta nacional", sem especificar o signficado público do título:
Art. 1o O cupuaçu, fruto do cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum), é designado fruta nacional. 

O Ipê Amarelo não é um símbolo oficial do Brasil, mas essa informação (até o momento equivocada) aparece em diversas fontes.  Há muitas referências a um Decreto do Presidente Jânio Quadros instituindo o Ipê Amarelo (Tecoma araliacea) como "Árvore Nacional", o que me fez vagar atrás dessa norma por muito tempo. Infrutiferamente.
A minha pesquisa revelou que esse decreto não existe. Há a mensagem nº 464/1961 do Presidente Jânio Quadros encaminhando um projeto de Lei que pretende declarar o Pau Brasil a árvore nacional e o Ipê-Amarelo como "Flor Nacional", que tramitou através do projeto de Lei nº 3380/1961: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=C0EF4E50B324EB8B9AE9DE68FDEB052B.node2?codteor=1203824&filename=Avulso+-PL+3380/1961.
Esse projeto foi arquivado em razão do pedido de retirada efetivado em 1972, e não localizei o decreto presidencial durante a tramitação do projeto. A existência de tal decreto é altamente improvável porque nessa mesma data da mensagem 464 (25/08/1961), o Presidente renunciou.  
Formalmente, o envio do projeto de lei de criação de símbolos nacionais foi um dos últimos atos do presidente, na mesma data da sua renúncia. É interessante a sincronia, pois nessa data foram "criados" dois símbolos do Brasil.
O Pau-Brasil transformou-se em árvore nacional através do projeto de lei nº 1006/1972 (https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1189896&filename=Dossie+-PL+1006/1972), transformado na Lei nº 6607/78, que não faz referência ao Ipê-Amarelo.
Não foi localizada norma federal posterior, embora alguns entes federativos tenham instituído o Ipê-Amarelo como símbolos estaduais ou municipais, o que nos leva ao segundo problemão: há diversas espécies com o mesmo nome em razão do regionalismo. Além disso, há uma variação de nome científico, por exemplo, em Mato Grosso do Sul o Ipê Amarelo (Handroanthusalbusou Tabebuia alba) é símbolo pela lei  estadual 5228/2018 (http://www.spdo.ms.gov.br/diariodoe/Index/Download/DO9698_17_07_2018), e é diferente da  Tecoma araliacea (estou errada? São Harri Lorenzi me ajude).
Por favor, por favor, se alguém conhece esse decreto de Jânio Quadros ou outra norma que institui o Ipê-Amarelo como símbolo nacional,  compartilhe comigo a informação.  Isso vai acalmar os meus nervos e o meu post e será de grande ajuda.