O brasileiro não tem memória.

Neste blog desmascaramos esta mentira.









domingo, 18 de novembro de 2018

Formas de lembrar (14): caminhando e lembrando

O denominado "Caminho de Santiago" iniciou, segundo conta a tradição, com a peregrinação para visitar o túmulo do Apóstolo São Tiago, cujo corpo foi encontrado no Campo da Estrela (Compostela), erguendo-se uma catedral para sepultá-lo.

Portanto, fazer o caminho é uma forma de lembrança celebrativa, uma das expressões do direito à memória dos mortos ( cf. http://direitoamemoria.blogspot.com.br/2010/11/o-direito-memoria-dos-mortos.html).

Mas além dessa celebração explícita da memória de Santiago, o Caminho também é repleto de marcos memoriais de peregrinos falecidos.  Não só daqueles que faleceram durante a peregrinação, e geralmente o marco indica o local do falecimento, mas também daqueles peregrinos que fizeram o caminho e que, por quaisquer motivos, os familiares e parentes acreditam que seria uma forma de homenagem à sua memória deixar alguma lembrança de sua peregrinação.

Muitas dessas lápides ou mesmo pequenos marcos com fotografias são cobertos por pedras depositadas pelos peregrinos.  Embora o ato de aposição de uma pedra no Caminho de Santiago possa assumir diversos significados, por exemplo, o ato simbólico de desapego de um problema ou um pedido, no caso desses marcos memoriais parecem refletir o costume judaico de honrar a memória dos mortos.


Homenagem à peregrina Foto - Marcelo Müller 

Monumento à memória dos falecidos - Foto de Marcelo Müller

Pedrinhas e cruz - Foto Marcelo Müller

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Meu cachorrinho

Hoje senti uma saudade enorme do meu finado cachorro, que se chamava Pitty.

Um poodle superalimentado e tão mal-humorado que parecia pertencer a outro planeta.  Pitty não gostava de crianças, mas minha mãe o considerava uma.

Pitty nunca aprendeu nada que os cachorrinhos usualmente aprendem:  não fazia suas necessidades no lugar certo, só fazia as refeições em cima da minha cama e embaixo das cobertas.

Aparentemente, ele achava que eu gostava de encontrar pedaços roídos de galinha embaixo do meu travesseiro.

Avançava contra as visitas e os de casa. Armava emboscadas para nos atacar. Latia para os fantasmas e ficava com um olhar perdido por longos períodos.

Pitty também era obrigado a tomar gemada, assim como todas as crianças da casa mas, diferentemente de nós, podia fazer a maior birra sem levar uma calibragem de mamãe.

Pitty não admitia um não como resposta.  Era mimado, não gostava de afagos e só tinha um verdadeiro amor na vida: meu irmão mais velho.

Como diria um antigo ministro brasileiro, cachorros também são pessoas, e aquele era uma das mais difíceis.  No entanto, nos amávamos profundamente e não posso lembrar dele senão com saudades e lágrimas nos olhos.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Formas de lembrar (13): Ex-votos


O ex-voto é um objeto que materializa a gratidão por uma graça alcançada, e pode assumir formatos diversos:


Ex-votos Fotografia Marcelo Müller
Podem representar partes do corpo para as quais se pediu a graça divina (como aparece na foto), mas também podem ser fotografias, mechas de cabelo, pinturas, próteses ou outros objetos que façam sentido para o devoto.

Um ex-voto é uma forma de lembrar a graça alcançada, uma representação da gratidão, que também é consequência da memória.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Patrimônio imaterial - imagens de fé em Juazeiro do Norte (2018)

Fotos autorizadas pelo autor Marcelo Müller - que é o meu marido querido- na romaria de Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, Ceará, Brasil (2018):

Aos pés do Padre Cícero - Foto Marcelo Müller


Benção dos chapéus - Foto Marcelo Müller


Penitentes - Foto Marcelo Müller


Flagelo - Foto Marcelo Müller

Fé, esperança, caridade. Pessoas, necessidades e dores.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Novo blog de Fabiana

Perdi um livro em minha biblioteca, e já o procuro há alguns dias.

Depois de usar de todos os métodos conhecidos, não consegui encontrá-lo. É uma tarefa acima das minhas forças normais, que exige medidas desesperadas.

Já tentei a serenidade (http://direitoamemoria.blogspot.com/2011/09/serenidade.html), mas não funciona neste caso, então resolvi que vou arrumar a minha biblioteca.

Mas não é simplesmente "arrumar".  É agir para que isso nunca mais se repita, então, vou fazer duas coisas:

a) Catalogar todos os livros;
b) Fazer um blog postando cada um deles.

É um longo caminho, mas é preciso percorrê-lo.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Lembrança celebrativa: França versus Pétain

Nesta época em que se comemora o fim da Primeira Guerra Mundial, muitas foram as iniciativas para lembrar fatos e pessoas.  A mais polêmica, talvez, venha da França, onde uma homenagem aos marechais que lutaram na guerra abriu uma discussão sobre a possibilidade, ou não, de estendê-la a quem posteriormente foi considerado um traidor da Nação e colaborador nazista.

O Marechal Pétain, que lutou bravamente pela França na Primeira Guerra Mundial, tornou-se uma figura mal vista na Segunda Guerra Mundial por colaborar com os nazistas que invadiram a nação, e foi condenado por traição por isso.  Como, então, homenageá-lo pelos feitos da Primeira Guerra, esquecendo os da Segunda?

Eis a questão: https://www.theguardian.com/world/2018/nov/07/nazi-collaborator-phillipe-petain-world-war-stirs-anger

Sem dúvida, a memória é seletiva, e o passado pode ser ressignificado, mas não há como esquecer parte da biografia do personagem para homenageá-lo parcialmente, salvo se a intenção for a reabilitação.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Resgatando conhecimentos tradicionais (2): forjar utensílios

Existem alguns conhecimentos que acompanham a História da Humanidade desde os primórdios, e que se tornaram banais ou desnecessários ao longo do tempo. Na série "Resgatando conhecimentos Tradicionais" tentamos refletir sobre a importância de manter vivos esses saberes: http://direitoamemoria.blogspot.com/2013/02/resgatando-conhecimentos-tradicionais.html.

Por exemplo, criar seus próprios utensílios.

Agora se você deseja uma faca ou uma colher é muito fácil, basta comprar.  Não para nós, que damos valor ao trabalho artesanal: essa faca foi feita para mim pelo meu irmão, que também fez o arco do primeiro post.



Faca para Fabiana

Faca e bainha

Agora alguns ofícios tradicionais voltaram à moda, e há até programas de televisão sobre forjadores e outros saberes antigos. Torço para que mais e mais pessoas dêem valor a essas técnicas, a esses objetos e às pessoas incríveis que os fazem.