O brasileiro não tem memória.

Neste blog desmascaramos esta mentira.









quarta-feira, 13 de julho de 2022

Citação sobre a memória - Jöel Candau

"Se há um tempo para transmitir e um tempo para receber, há igualmente um 'tempo de calar e tempo de falar'.  Ora, a memória, com frequência, recusa calar-se.  Imperativa, onipresente, invasora, excessiva, abusiva, é comum evocar que seu império se deve à inquietude dos indivíduos e dos grupos em busca de si mesmos".

CANDAU, Jöel.  Memória e identidade.  São Paulo: Contexto, 2011. p. 125.

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Experiência de leitura e memorização

No post sobre estudar Kant em um ônibus lotado (https://direitoamemoria.blogspot.com/2011/07/memoria-e-aprendizado-estudando-kant-no.html?m=0) tentei mostrar que a qualidade da memorização e do aprendizado depende de certas circunstâncias favoráveis e adequadas ao estudo.

Com isso em mente, não posso deixar de compartilhar essa minha interessante (e meio insana) experiência da leitura que estou passando.

Quando fico de férias, faço um inventário de tudo que eu preciso fazer, das minhas pendências de leitura.  O livro 1 da lista era "Memória e Identidade" de Jöel Candau.

Coloquei-o na mochila com o propósito de avançar a leitura enquanto estivesse no aeroporto, descansando da trilha, e naqueles momentos favoráveis. 

Nada saiu como o esperado, como relatei no post https://direitoamemoria.blogspot.com/2022/06/ferias-2022-memorias-parte-1.html, e tudo foi muito confuso até chegar ao Vale do Pati.

O cansaço e um joelho inchado não são os melhores companheiros de leitura.  Aquela dor que lateja distrai, mesmo quando me esforço para fichar o livro.  Li embaixo de árvores, à beira de cachoeira. Li com a luz de celular.

Fiquei tão empolgada com os conceitos discutidos - afinal, trata sobre memória essa paixão - que acabei sem fazer as reflexões críticas e, quando dei por mim, estava fichando cada palavra do autor tal uma adolescente apaixonada.

Caminhava, fichava, suspendia os conceitos na cabeça e ia refletindo. Um livro também é um caminho a ser percorrido, e lá vou eu de capítulo em capítulo tentando compreender  aquela paisagem de conceitos que se descortina na minha frente.

Os dias seguintes após terminada a travessia do Vale do Pati foram mais tranquilos para a leitura.  Visitei Porto Seguro, fiz caminhadas lá, mas nada que perturbasse muito.

Quando cheguei em casa meus pais foram internados com covid.  Eu fui acompanhá-los no hospital e lá continuei a ler o livro. Preocupada com a situação o meu fichamento mudou muito: se antes estava toda faceira absorvendo tudo, agora tinha dificuldade em me concentrar.

Acredito que muito dessa dificuldade deveu-se a fato de que eu já estava apresentando os sintomas de covid.  Estudar com febre e com a cabeça doendo não é fácil, mas tentei ler e fichar pelo menos um pouquinho todo dia.

Que experiência de leitura! O livro "Memória e Identidade" de Jöel Candau sem dúvida marcou essa fase da minha biografia.  Está vinculado indelevelmente à Chapada Diamantina e à covid na minha lembrança.


sexta-feira, 1 de julho de 2022

Férias 2022 Memórias parte 3: Saindo do Vale do Pati

Quebrei o meu dente e estava com o joelho inchado desde o segundo dia.  

A caminhada pelo Vale não é tão extenuante como conhecer os seus atrativos.  Então, é caminhar e quando cansar, descansar caminhando.

A questão é gerenciar todos esses fatores, e também aprender a lidar com a geografia tão veemente da Chapada Diamantina.  Muita pedra, muita subida e descida, muita descida e subida, e assim a gente avança.

A saída do vale ocorreu em direção a Andaraí, por uma montanha. O obstáculo é transponível com paciência e esforço, e é tão ruim na subida quanto na descida.

Considerando que eu estava com o joelho inchado e ia fazer outra trilha depois, optei por andar em uma mula. Foi a primeira vez que eu montei e me diverti muito mesmo.

O lugar é muito bonito.  Dizem que é a travessia mais bonita do Brasil, o que não posso confirmar porque isso é uma questão subjetiva.

Digo com certeza que foi uma experiência maravilhosa.  Cinco dias sem internet ou telefone, na excelente companhia dos guias e dos companheiros do grupo, todos com a idéia de absorver aquela beleza da melhor forma possível.

E caminhar, que é uma das atividades mais legais que alguém pode fazer.

Em seguida fui para Porto Seguro, também no Estado da Bahia, porque lá reside o mito de origem da nossa nacionalidade, e isso eu precisava ver de perto, como contarei no próximo post.

Férias 2022 memórias parte 2: a travessia do Vale do Pati

O lugar lindo é esse:


Fotografia - Fabiana Dantas
Vale do Pati e a travessia pelo caminho do meio

Desafiador, não tanto pela travessia mas porque cada pedaço dessa beleza tem que ser merecida.  Não existem locais de fácil acesso, então tem que parar e pensar:

Fotografia - Fabiana Dantas
Fabiana e sua perspectiva

A vista do Castelo é também um vislumbre do passado.  Ali do outro lado é possível ver a descida onde machuquei o meu joelho mas continuei construindo o meu caráter.


Fotografia - Fabiana Dantas
A vista do Castelo

Não era teimosia só.  A insistência em carregar a minha mochila pesada- que eu carinhosamente apelidei de "meu B.O" mas que alguns chamam de karma - tem um motivo ético, espiritual e também muita teimosia.

Minha relação com a minha mochila melhorou muito depois que chegamos em casa. Ela não é mais uma substituta, é minha mochila por mérito próprio.