O brasileiro não tem memória.

Neste blog desmascaramos esta mentira.









sábado, 7 de setembro de 2019

Filigrana portuguesa

Quem me conhece sabe que eu admiro ouro em geral.

Tenho a febre do ouro desde pequena, quando conheci o Museo del Oro de Bogota, acompanhado de uma bela e inesquecível explicação sobre mineração que o meu papai nos deu, ele que é um geólogo brasileiro renomado (http://direitoamemoria.blogspot.com/2015/08/papai.html).

O meu avó materno era ourives e tive a honra e a oportunidade de vê-lo trabalhar.  Achava interessante porque ele não fazia jóias, as coisas lindas em ouro que ele fazia eram peças para famosos relógios.  Era um mestre dos mecanismos dourados.

Infelizmente o ofício tradicional de ourives está desaparecendo aqui onde vivo, e as jóias agora são industrializadas.

A minha mãe (http://direitoamemoria.blogspot.com/2015/05/mamae.html), filha de ourives e cigana por tradição familiar (dizem), também adora ouro.  O primeiro presente que as meninas ganham na minha família é um brinquinho, e já saímos da maternidade com as orelhas furadas e brilhando.

Em algumas culturas furar a orelha de bebês é visto como um absurdo, e acho que deve ter alguma repercussão na saúde, considerando o pouco que sei sobre acumpuntura.  Minha sobrinha nasceu nos Estados Unidos, e lá não é costume furar a orelhinha das crianças.  Por isso, ela só ganhou o brinquinho, que já estava comprado e destinado, quando veio nos visitar aos seis meses de idade (http://direitoamemoria.blogspot.com/2015/11/parabens-maria-clara.html).

Tudo isso para dizer que fiquei impressionada e encantada com uma visita ao Museu da Filigrana em Lisboa.  Tanto ouro finamente trabalhado, transformado em obras de arte para embelezar pessoas. Um modo de fazer tradicional, intrincado na história da antiga mineração, que é marca identitária de alguns grupos, e determinante para a sua autoimagem.

Lá conheci um pouco sobre as mordomas de Viana do Castelo, e tive a certeza de que algum dia irei conhecer a Romaria d'Agonia.  Não sei quando, mas definitivamente entrou na lista (https://direitoamemoria.blogspot.com/2016/11/lista-de-desejos-de-fabiana.html?).

Olha só esse pequeno vídeo sobre a festa: https://www.youtube.com/watch?v=3BKjEdJs8eo.  É disso que eu estou falando!  Ouro, festa, comida, ouro, pessoas felizes, ouro, identidade, memória coletiva, patrimônio cultural brilhando.

O Museu da Filigrana no Chiado em Lisboa é imperdível. E, se tiver a oportunidade de ir, não perca a chance de ouro de ter a demonstração que os gentilíssimos atendentes fazem sobre a filigrana portuguesa.

Para mim, o ouro lembra o meu pai e avô trabalhando, a minha mãe com os encantados olhos verdes brilhando, tardes deslumbradas no Museu del Oro, a felicidade de ganhar um novo membro feminino na família, e o dia do meu casamento, quando ganhei um anel que simboliza a acertada escolha de casar com Marcelo.  Essas lembranças são jóias.



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