O brasileiro não tem memória.

Neste blog desmascaramos esta mentira.









domingo, 31 de janeiro de 2021

Novos clássicos

É uma sensação muito estranha quando alguma música ou filme que você viu estrear vira um clássico para as novas gerações.

Isso tem acontecido com bastante frequência ultimamente e me faz sentir um pouco estranha.

Algumas das coisas que eu fazia, usava, assistia e ouvia simplesmente envelheceram e não estão mais presentes.  Foram descontinuadas e caíram em desuso.

Os gostos amadurecem, as necessidades mudam como tudo na dinâmica da vida, mas é muito estranho ser a pessoa que testemunhou o nascimento de uma banda, ou viu nascer um filme que agora faz parte da memória coletiva. 

As pessoas mais recentes, que eu considero os atrasados da memória coletiva, já falam das coisas da "minha época" como se fossem um passado distante enquanto que para mim tudo aconteceu ontem, e ainda me trazem lembranças e sentimentos.

É bizarro quando você se percebe de outra geração.  Eu presenciei fatos que os meus sobrinhos estudam nos livros de História, e falo de coisas que não existem mais.

I see old things.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Artigo publicado (2021) - Fabiana Dantas

O meu artigo "A saga legislativa dos heróis e heroínas brasileiros" foi publicado na Revista Jurídica da Presidência, nº 128.

Para ler o artigo basta acessar o endereço: https://revistajuridica.presidencia.gov.br/index.php/saj/article/view/1874/1355

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Perdões, indultos, comutações e esquecimentos

 Confira: https://www.nbcnews.com/politics/donald-trump/full-list-trump-s-last-minute-pardons-commuted-sentences-n1254806

Os atos de perdão do ex-Presidente Trump, assim enquadrados genericamente diferentes atos fundados no poder de império do Chefe do Poder Executivo, resquício do Absolutismo, precisam ser estudados e contextualizados.

Estudemos.

sábado, 16 de janeiro de 2021

16 de Janeiro - Aniversário dos meus pais

Sempre achei engraçado e interessante o fato de que a minha mãe e o meu pai fazem aniversário na mesma data, hoje, dia 16 de janeiro.  Sem dúvida, muito fácil para lembrar, mas em compensação quando a gente esquece acaba ofendendo duas das pessoas mais importantes da nossa vida.

Meu pai (https://direitoamemoria.blogspot.com/2015/08/papai.html) nasceu em 16/01/1943, e é uma das pessoas mais interessantes que eu já conheci.  Geólogo, profissão que exerceu por quase cinquenta anos, é aventureiro, gosta muito de comer coisas gostosas, e conseguiu fazer isso pelos quatro cantos do mundo.

Ele viajou o mundo inteiro e compartilhou suas experiências conosco.  Meu pai nos ensinou que o mundo é um lugar para ser lido e interpretado: ele passou a vida toda olhando para as rochas e entendendo que elas são documentos que lhe trazem informação.

A minha mãe (http://direitoamemoria.blogspot.com/2015/05/mamae.html, https://direitoamemoria.blogspot.com/2020/05/mamaezinha.html) nasceu em 16/01/1947 e também é uma das pessoas mais interessantes que eu já conheci.  É muito inteligente e artística, psicóloga, mas essa profissão só foi conquistada quando nós já éramos adultos e não conseguimos nos beneficiar desse conhecimento específico. Os netos tiveram a sorte de encontrar uma vovó mais reflexiva e compreensiva no quesito educação infantil.

Ela produz peças variadas - pintura, escultura - e cultiva muitas habilidades manuais.  É fã de Chuck Norris, gosta de ler qualquer coisa que lhe caia nas mãos e de assistir filmes de porrada.

Minha mãe nos ensinou que a liberdade é algo que se conquista (quando você é adulto) e que não se deve renunciar nem negociar com ela, embora não se possa invocá-la para desobedecer à mamãe e nem para levar sereno (http://direitoamemoria.blogspot.com/2012/07/levar-sereno.html).

É engraçado como a nossa visão sobre os nossos pais é dinâmica e vai mudando ao longo da nossa vida.  Com o tempo (e ainda muito jovem) percebi que a minha mãe é muito inteligente e bem maluca, e que isso é uma característica positiva que lhe permitiu cuidar e educar quatro filhos, que para ela são exatamente uma e mesma pessoa.

A minha mãe não dá o menor valor para os nossos nomes próprios, e nos chama pelo primeiro nome que vem à sua cabeça.  Eu sou Fabiana, mas ela sempre me chamou de Robinson, Flávia, Albino, Maria Clara, e ultimamente me chama de Benjamin. Não importa.

Pessoas interessantes e seus mistérios.

Nesse ano de 2021, diferentemente de todos os anos da minha vida, não fui comemorar o aniversário dos meus pais por conta das medidas de enfretamento da pandemia.  Então, o meu jeito de comemorar é lembrar deles, de como são incríveis, e escrever essa pequena mensagem como uma lembrancinha.

 



quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Impressões da pandemia 2020 (2021): volume 4

Essa série  é um registro para a Fabiana do futuro lembrar dos detalhes da vida durante a pandemia.

No volume 1 refleti sobre como a pandemia me fez conhecer a minha cozinha, de forma literal e metafórica, pela necessidade de aprender a cozinhar, em um processo que durou meses mas ao qual sobrevivi e evoluí de maneiras inesperadas.

No volume 2 concluí que a pandemia me ensinou a  lição indelével da  adaptação e resiliência, além de trazer clareza para o meu modo peculiar  de fazer e sentir, um tipo de iluminação que os eremitas medievais e reclusos em geral buscam e alcançam voluntariamente, o que definitivamente não foi o meu caso.

No volume 3 constatei que o isolamento ajudou a aprofundar e aperfeiçoar algumas características pessoais, trouxe amadurecimento, mas o sentido das festividades foi definitivamente alterado para mim. Estar junto agora possui um significado totalmente diferente, e não depende mais da presença física e nem de ocasiões especiais.

O fato de estar isolada em casa exigiu criatividade e disciplina para manter uma rotina ativa, mas também me permitiu aumentar a minha quilometragem em produtos culturais.  A televisão e os serviços de streaming têm uma produção quase impossível de acompanhar: são tantos filmes e séries, documentários, que fatalmente será necessário desenvolver critérios de seleção cada vez mais rigorosos.

Não podemos perder tempo com porcarias.

Antes da pandemia eu até assistia porcarias, às vezes porque são realmente divertidas (especialmente quando se levam a sério), às vezes por puro cansaço.  O programa/filme passava e eu olhava com aquele olhar vazio de quem já está dormindo.

Agora não.  A vida é muito curta para ser desperdiçada.  Ontem mesmo estava assistindo a um filme em que o rapaz queria seduzir a mocinha fazendo charme de intelectual.  Para conquistá-la resolveu dar de presente a primeira edição de um livro, o que em geral entre colecionadores é algo valorizado.

O livro era a Ilíada de Homero.  

Foi nesse ponto que eu perdi a paciência, gritei com a tv e com o filme, e desliguei tudo.  Francamente, a primeira edição da Ilíada?

Acho que o isolamento está servindo como uma espécie de alambique para a minha personalidade, destilando a minhas peculiaridades.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Meia-sola

"Meia-sola" é uma expressão utilizada aqui para designar uma medida paliativa. Não dá para fazer tudo o quem tem que ser feito, então faz-se uma meia-sola para ir improvisando enquanto  a solução definitiva não chega.

Mas, como já citei nos posts http://direitoamemoria.blogspot.com/2014/04/conhece-te-ti-mesmo-brasil-procrastinar.html  http://direitoamemoria.blogspot.com/2018/10/conhece-te-ti-mesmo-questao-do.html , a procrastinação inerente ao nosso modus vivendi transforma o provisório em definitivo e o imediatismo prefere a solução pontual à estrutural, transformando tudo em crônico problema a ser solucionado no futuro, que é quando a  meia-sola transforma-se no sapato inteiro.

A origem da expressão é de uma época em que as pessoas consertavam sapatos (e eu ainda faço isso). A sola do sapato era parcialmente substituída, retirando-se apenas a parte que sofre mais desgaste. Ou seja, com a meia-sola garante-se a sobrevida útil do sapato inteiro.

Sou sempre favorável a consertar, manter e reutilizar porque isso economiza recursos (matéria-prima, trabalho e dinheiro), promovendo a idéia de sustentabilidade e redução do consumo.  A meia-sola para mim não é mais uma expressão pejorativa, mas um  exemplo de utilização racional.

Entretanto, algumas matérias e alguns problemas são avessos à meia-sola.  Saber a diferença e adotar as medidas necessárias, no tempo, quantidade e qualidade adequadas é o que diferencia a boa gestão do desastre.


sábado, 9 de janeiro de 2021

Curso de Frevo gratuito e online - divulgação

O frevo é um bem cultural inscrito na Lista do Patrimônio Imaterial da Humanidade da UNESCO.  Confira o vídeo institucional da candidatura: https://www.youtube.com/watch?v=dOjtXpl77_E

O frevo é uma forma de expressão complexa que envolve a música e a dança (passo), vestimentas e adereços, sendo o mais conhecido a sombrinha: http://direitoamemoria.blogspot.com/2019/03/sombrinha.html.

É um bem cultural que faz parte da minha vida e da minha identidade, como expliquei no post: http://direitoamemoria.blogspot.com/2011/07/o-primeiro-frevo-gente-nunca-esquece.html. Fazer o passo e brincar o carnaval contribuíram para a minha individualidade de forma indelével.

Nesse ano de 2021 não vamos ter carnaval na minha cidade por causa das medidas sanitárias de enfrentamento à pandemia.  Mas o frevo não pode parar, e por isso alguns professores estão ensinando online, gratuitamente, para todos aqueles que quiserem aprender: no Instagram o perfil @frevoonline (no Youtube canal frevo online) vai ofertar uma oficina gratuita, às segundas, quartas e sextas-feiras, às 19:30 (horário de Brasília), a partir de 11/01/2021.

É um curso introdutório, e para quem nunca dançou ou viu o frevo é uma boa oportunidade para iniciar o aprendizado. 

Não se assustem, o frevo cansa (😂) e demora um pouco para aprender todos os passos. Há dores musculares envolvidas e um certo sentimento de frustração, mas tudo isso será superado se você se divertir aprendendo.

O frevo é Patrimônio da Humanidade, é seu também. Aproveite e divirta-se!



quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

2021 histórico

Esse ano de 2021 começou agitado.  

Ontem, 06/01/2021 houve a invasão do Capitólio, sede do Legislativo federal norte-americano, por um grupo de apoiadores de Donald Trump, que recusam a legitimidade ao processo eleitoral.

Passei o dia observando e aprendendo.  Achei alguns aspectos muito interessantes:

a) Quem não compareceu?  Não vi, ou não mostraram, eleitores de Biden.  Acho que haveria uma grande violência se os cidadãos opositores tivessem comparecido.

Ao contrário, deixaram as instituições lidarem com o caso. Isso foi uma boa lição.

O Exército também não compareceu.

b) A segurança do Capitólio não foi muito efetiva.  Achei isso surpreendente, considerando o tamanho do orçamento destinado à área de segurança nos Estados Unidos.

c) O poder de reação das instituições americanas foi e está sendo testado. Observem.

d) Objetivos e consequências. O que os invasores do Capitólio pretendiam?  Impedir a certificação momentânea de Biden?

Quais serão as consequências?  Elas dirão se os objetivos foram alcançados.  Ganhadores e perdedores sofrem consequências bem distintas.

e) Biden foi confirmado, e os democratas têm a maioria na Câmara e no Senado.

Ponto de mutação ou de ruptura. Observemos.


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Impressões da pandemia 2020 (2021): volume 3

Essa série  é um registro para a Fabiana do futuro lembrar dos detalhes da vida durante a pandemia.

No volume 1 refleti sobre como a pandemia me fez conhecer a minha cozinha, de forma literal e metafórica, pela necessidade de aprender a cozinhar, em um processo que durou meses mas ao qual sobrevivi e evoluí de maneiras inesperadas.

No volume 2 concluí que a pandemia me ensinou a  lição indelével da  adaptação e resiliência, além de trazer clareza para o meu modo peculiar  de fazer e sentir, um tipo de iluminação que os eremitas medievais e reclusos em geral buscam e alcançam voluntariamente, o que definitivamente não foi o meu caso.

Estar sozinho possibilita refletir e meditar.  O silêncio quando se está sozinho pode ser muito produtivo, embora traga um certo prejuízo para as habilidades sociais em longo prazo.

Certamente, "festas" ganharam um novo significado para mim:


Aniversário na quarentena


Ano novo na quarentena

É melhor estar junto de quem a gente ama mas, não sendo possível, comemorar ajuda a manter a sua presença pela lembrança.



domingo, 3 de janeiro de 2021

Betume da Judéia

O betume da Judéia é um produto usado para impermeabilizar e tonalizar madeira (e outros materiais), mas isso não importa.

O nome é que importa porque para mim parece um produto que os nabateus ou fenícios venderiam. Tem cara, função e nome de um produto que veio direto da Antiguidade.

Ah, não é assim?  A história é outra?

Não importa, eu gosto de betume da Judéia e quando vou a lojas de material de construção não esqueço de olhar a prateleira onde ficam os potes, dou sorrisos e penso em que estranhos caminhos esse produto percorreu.